Como deve ser o novo show de Chico

O repertório da atual turnê de Chico Buarque conta com 27 canções, de acordo com relatório enviado pela assessoria do artista à imprensa. Das dez (e difíceis, intrincadas) faixas do novo CD, só não está listada “Barafunda”, a criação mais literária de sua safra musical mais recente. Segundo o roteiro, “Sinhá”, a mais reveladora delas ao lado de “Barafunda”, encerra o espetáculo.

As primeiras da lista são “O Velho Francisco” (1987), “De Volta ao Samba”, do álbum “Paratodos” (1993), e a mais antiga de todoo roteiro, “Desalento”, do disco pós-tropicalista “Construção” (1971). Não aparece nenhuma canção do Chico imaturo da década de 1960.

Do relicário histórico de Chico, há “Baioque” (1972, cantada por Maria Bethânia no filme “Quando o Carnaval Chegar”, de Cacá Diegues), “Sob Medida” (lançada em 1979 em versões de Simone e de Fafá de Belém), “Geni e o Zepelim” (da “Ópera do Malandro”, gravada por ele próprio em 1979) e “Bastidores” (1980, composta para Cauby Peixoto), entre outras.

“Teresinha”, também da “Ópera”, é seguida por “Ana de Amsterdã”, do musical teatral buarquiano “Calabar”, totalmente interditado pela Censura militar em 1973. Desde que Ana de Hollanda, irmã de Chico, assumiu o ministério da Cultura, são frequentes as especulações, nunca confirmadas, sobre elos entre a Ana de Amsterdã e a da Holanda.

A penúltima peça do roteiro é “Cálice”, parceria com o hoje ex-ministro Gilberto Gil, também censurada em 1973 pela ditadura e retomada por Chico num dueto com Milton Nascimento, em 1978, no início da distensão política. Aqui está contido o momento mais comentado do show nas paradas anteriores, por Belo Horizonte e Rio de Janeiro: Chico incorporou a versão do rapper paulistano Criolo (autor de “Não Existe Amor em SP”, de 2011), que num vídeo lançado no YouTube improvisou versos duros falando da realidade das periferias brasileiras sobre a letra original do mestre.

 

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