concluída em dezembro, a obra de reforma da praça da matriz em paraty foi coordenada pela empresa casa azul, a mesma que organiza a feira literária de paraty, a famosa FLIP.
ao contrário da anterior, que tinha passeios de pedra na mesma linha do arruamento já lendário de paraty, a nova praça da matriz tem calçamento de cimento.
são passeios largos e a obra é descrita como tendo financiamento do BNDES e apoio de alguns órgãos e empresas, como a usina nuclear e o iphan.
ouvi de um dono de restaurante:
“eles começaram a se meter em coisas que não conhecem, e fizeram burrada. acho que é o poder, ele contamina e muda as pessoas”.
ouvi também de um garçom (e eu nem tinha perguntado a respeito).
“essa praça aí é coisa desses paulistas. uma máfia”, disse, indignado.
já ouvi argumento de gente séria, como o marcelo carvalho ferraz, dizendo que é preciso mudar as ruas de pedra de paraty.
ficaria adequada para pessoas de idade, deficientes, crianças, visitantes especiais.
mas certamente perderia o charme.
a praça da igreja, como me disse o garçom, hoje não é diferente de alguma praça de subúrbio de belford roxo ou mangaratiba.
é um debate que deve pegar fogo na próxima FLIP.
estaria a casa azul cobrando o preço de ter dado “visibilidade” para paraty?

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Jotabê Medeiros, paraibano de Sumé, é repórter desde 1986 e autor de Belchior - Apenas um Rapaz Latino-Americano (Todavia, 2017), Raul Seixas - Não diga que a canção está perdida (Todavia, 2019), Roberto Carlos - Por isso essa voz tamanha (Todavia, 2021), O Último Pau de Arara (Grafatório, 2021) e A Culpa é do Lou Reed (Reformatório, 2024)

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