Christopher Hitchens (que se descobriu com câncer há alguns dias) escreveu brilhante defesa de George Orwell no livrinho A VITÓRIA DE ORWELL, um ensaio publicado pela Cia das Letras por esses dias.
Orwell foi acusado pelo jornal Daily Telegraph de ter elaborado uma lista “dedo-dura” de intelectuais comunistas para perseguições stalinistas, em 1996.
Sua reputação de ícone esquerdista foi turvada pela revelação de que tinha feito uma lista negra para perseguições políticas.
Hitchens demonstrou que, na verdade, Orwell preparou uma lista crítica de intelectuais que, numa situação difícil, teriam se vendido sem problemas a uma hegemonia política e militar de ocasião
Hitchens achou um texto de Orwell publicado em 1942, na Partisan Review, que analisava a tentação dos intelectuais de se aliarem ao poder (a partir do colaboracionismo francês).
Eis o texto:

Vichy e os alemães constataram ser bem fácil manter uma fachada de que existe uma “cultura francesa”. Havia intelectuais de sobra prontos para bandear-se, e os alemães estavam mais que dispostos a fazer uso deles, mesmo se fossem “decadentes”.
Nesse momento, Drieu de la Rochelle edita a Nouvelle Revue Française, Pound berra contra os judeus na Rádio Roma, e Céline é uma valiosa exposição em Paris, ou pelo menos seus livros são. Tudo isso viria sob o cabeçalho de kulturbolschewismus, mas também são cartas úteis para se jogar contra a intelligentsia da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos. Se os alemães conseguissem entrar na Inglaterra, coisas parecidas aconteceriam,
e acho que eu poderia fazer pelo menos uma lista preliminar das pessoas que se bandeariam.

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Jotabê Medeiros, paraibano de Sumé, é repórter de jornalismo cultural desde 1986 e escritor, autor de Belchior - Apenas um Rapaz Latino-Americano (Todavia, 2017), Raul Seixas - Não diga que a canção está perdida (Todavia, 2019) e Roberto Carlos - Por isso essa voz tamanha (Todavia, 2021)

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