Daniel Peixoto e Leco Jucá - Foto Divulgação

Após uma existência festejada e geradora de expectativas, entre 2005 e 2009, o grupo eletropunk cearense Montage se desfez por brigas (inclusive judiciais) entre os integrantes. Agora, Daniel Peixoto anuncia o retorno na formação mais básica, ele à frente, mais o DJ Leco Jucá.

Abaixo, Daniel fala a FAROFAFÁ sobre o passado, a carreira solo, a vitória na Justiça pela posse da marca Montage e o show de retorno na Parada Gay de São Paulo, em 10 de julho próximo.

Lino Bocchini: Por que a decisão de voltar com o Montage? Como isso aconteceu?

Daniel Peixoto: Durante nossa época de existência tiramos um terceiro integrante da banda, dai começou uma briga judicial pela marca Montage. Mas isso não atrapalhou nosso andamento, pelo contrário, a banda cresceu com a saída desse senhor. Terminamos nossas atividades em 2009 por questões geográficas, Leco estava indo embora de São Paulo, eu tava a fim e ficar e continuar. Tudo rolou muito de boa. Ano passado, o produtor do Montage, Dudu Marote, me ligou dizendo que a decisão havia saído e eu era o único dono dessa marca. Avisei ao Leco e ao Ricardo Lisboa (nosso produtor) e brincamos “Agora que somos os donos de fato, vamos fazer um show”. Ficou por isso mesmo. Há pouco, minha turnê passou por Manaus, onde Leco mora, e nós conversamos pessoalmente, algo bem de brothers, como sempre foi. E aií, vamos fazer uns shows? Ele topou! Postei isso no Facebook, pareceu um viral muitíssimo bem-sucedido.

LB: Por que o grupo tinha acabado, lá atrás? Com a volta, acaba sua carreira solo, ou as duas coisas vão correr em paralelo?

DP: Jamais! Acabei de lançar meu disco, formei uma banda foda de apoio que me ajuda a fazer isso, só de produtores, fiz tour na Europa por oito meses no ano passado, e minha carreira solo vai bem. Leco também tem tocado os projetos dele e está agora dirigindo um documentário. Essa volta veio pra ser momentânea, algo meio Spice Girls, Los Hermanos, Sex Pistols… Vem e vai, enquanto isso a gente vai arrasando de outras formas.

LB: Como está sendo a aceitação, shows e tudo mais, do seu disco solo?

DP: Tenho dois tipos de publico atualmente, os fãs ex-teens do Montage que cresceram e continuam me acompanhando, e agora o meu própio público, mais adulto. Tenho tocado bastante e misturado essa galera, tem vídeos ótimos no YouTube. O disco recebeu criticas elogiosas de grandes veiculos, a MTV gringa disse que era o melhor do gênero “tropical bass” desde que esse termo foi inventado, e disse que eu sou o príncipe do electro brasileiro, eu me diverti demais com isso. Também fiquei por semanas em primeiro lugar nos charts da Alemanha com o clipe de “Eu Só Paro se Cair”. Acho que tá dando certo e devagar eu vou ao longe. Agora adulto! Diferente da criança esgoelada do Montage (risos).

LB: E fora do Brasil, shows marcados?

DP: Já era pra eu ter ido de volta. Tô roxo de saudade de Amsterdam, Berlin. Mas tá rolando coisa demais por aqui e não posso dizer não a oportunidades que me são dadas. Mas esse ano ainda, inevitavelmente, eu tenho que ir.

LB: A ideia é que o Montage volte como era, ou diferente? Vão tocar músicas antigas, músicas solo suas?

DP: As músicas do nosso repertório. Leco me disse que tem muitas músicas já. Não conheço ainda esse material inédito, mas confesso que estou louco pra ouvir e escrever novas letras com ele e o Ricardo. Ai sim é Montage.

LB: A formação é a mesma?

DP: Sim, com guitarristas convidados!

LB: Quando e onde serão os shows já marcados? Em todo Brasil?

DP: A agenda ainda está sendo fechada pelo Ricardo Lisboa, temos uma data dia 10 em São Paulo pra começar, será no dia da Parada Gay (risos)! Depois temos que conciliar agendas, e marcar as viagens todas seguidas. Mas é certo que passemos por São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza e Manaus.

DP: Sua performance em palco, principalmente na época do Montage, marcou. Que Daniel Peixoto vai estar à frente da banda, qual será sua atitude?

DP: Honestamente ja pensei nisso, minha performance hoje mesmo frenética não é nem de longe tão agressiva como na época do montage. Nada de cortes com garrafa, sangue, banhos de drink, cueca branca molhada… Mas eu sei que esse ânimo todo do povo que se manifestou positivamente pelo retorno é porque querem ver o circo pegar fogo!! Então, vamos mostrar a bunda mais uma vez! Tá na chuva, é pra se molhar!

LB: Quais foram os shows mais marcantes da sua vida, solo e com o Montage?

DP: Com o Montage, vários. Foram quatro anos tocando de três a quatro vezes por semana. Tenho uma excelente lembrança do show em que Iggor Cavalera tocou bateria conosco. Sozinho, fiz um show muito especial em Paris em setembro passado, porque eu não era conhecido ali, as pessoas não conheciam minhas músicas nem entendiam o português. E honestamente eu quebrei tudo, tinha gente tirando a roupa na plateia! Coisa muito comum na epoca do Montage (risos).

LB: Por fim, fique à vontade pra fazer qualquer comentário adicional.

DP: Nós estávamos com saudade e queremos nos divertir, essa é a real de tudo.

* Lino Bocchini é redator-chefe da revista Trip, criador do site Falha de S.Paulo, censurado pela jornal Folha de S.Paulo, e apresentador do programa de Desculpe Nossa Falha no #PosTV do Fora do Eixo

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