foto: nana tucci

“culpem o slide”, disse roy rogers.

tudo que ele é hoje é culpa do slide.


desde jeff beck no via funchal um guitarrista não me deixava tão chapado.


desde jack white no teatro amazonas.


sei lá, buddy guy é foda.


mas roy rogers é dinamite pura.

na praça da matriz, em paraty, 10 mil pessoas pareciam meio caídas de paraquedas no show.

lá pela terceira música, todo mundo urrando, um espetáculo de conversão coletiva.

o homem tinha passado todo mundo para o seu lado.


o show dele atrasou uns minutinhos por conta de um casamento na igreja, do outro lado da praça.

e ele insistiu: só começava quando uma banda de rua que tinha combinado com ele o lance entrasse tocando no lado oposto da plateia.

aí, acenou um lenço branco e atacou na guitarra de dois braços.

power trio fodido, música da mais alta combustão.

tocou robert johnson e john lee hooker.

tocou blues que queimaram na noite como se fossem flechas incendiárias.

putzgrilla, eu adorei o roy.

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Jotabê Medeiros, paraibano de Sumé, é repórter de jornalismo cultural desde 1986 e escritor, autor de Belchior - Apenas um Rapaz Latino-Americano (Todavia, 2017), Raul Seixas - Não diga que a canção está perdida (Todavia, 2019) e Roberto Carlos - Por isso essa voz tamanha (Todavia, 2021)

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