Black Pantera - foto soundcloud Black Pantera
Black Pantera - foto Soundcloud Black Pantera

Em ininterrupto processo de conquista de espaço, a causa antirracista no Brasil alcança um meio quase sempre branquíssimo, o do heavy metal, nas figuras dos três integrantes da banda mineira Black Pantera, Charles Gama (vocais e guitarra), Chaene da Gama (baixo) e Rodrigo Augusto (bateria). O combate é explícito na letra e no videoclipe do novo “Fogo nos Racistas”, composição do trio com letra de Charles Gama.

Subvertendo o conservadorismo de grande parte da produção atual do gênero (e do rock como um todo), o Black Pantera existe desde 2014 e se inspira evidentemente no personagem da Marvel, nos Panteras Negras surgidos nos Estados Unidos nos anos 1960 e, mais que nunca neste “Fogo nos Racistas”, no cinema controverso (e branco) de Quentin Tarantino.

Tema presente em grande parte dos álbuns Project Black Pantera (2015) e Agressão (2018), a denúncia da discriminação, da desigualdade e da violência racial já apareceu em “Escravos” (2015, “abolição, mas que abolição?/ de norte ao sul/ ainda há escravidão”), “Ratatá” (2015, “na avenida 38 o bangue-bangue é sério/ os cara da colina e os playba do hemisfério/ descarregam seu ódio e opressão/ transformam a cidade em um campo de concentração”), “Poder para o Povo“(2018), “I Can’t Breathe” (2020, “there’s nothing new/ it’s the same story/ black man dies/ for the racism glory”), a nova “Padrão É o Caralho” (“Jesus não era branco/ não era ariano/ a vida começou no continente africano/ padrão é o caralho!”), entre outras.

Voltados para o rock gringo, mas também para dentro, os três reeditaram no EP “Capítulo Negro” (2020), em thrash metal, os manifestos emblemáticos “Identidade” (1992), de Jorge Aragão, “Todo Camburão Tem um Pouco de Navio Negreiro” (1994), d’O Rappa, e “A Carne” (1998), do Farofa Carioca, essa última eternizada em 2002 na versão de Elza Soares. Diz a letra inflamável de “Fogo nos Racistas”:

“Eu sei, nossa simples existência já é uma afronta
Os demônios em você não aguentam ver outro preto que desponta
No estilo Django Livre ou no estilo Luís Gama
Representando os ancestrais, afro-samurais, filhos de Wakanda
Um grito vem da alma:

Fogo nos racistas!
Eu disse fogo nos racistas!
Expõe pra queimar!

Fogo nos racistas!
Eu disse fogo nos racistas!
Deixa queimar!

Não precisamos tomar nada de ninguém
Só nos deixe ir, reconquistar o nosso espaço
De janeiro a janeiro, todo dia, o ano inteiro, de março a março
A ascensão do império preto
O império contra-ataca
O lado negro da força aqui
Só fode com reaça
E eu digo na sua cara:

Fogo nos racistas (…)”

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