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Cena da peça Guerra, de A Próxima Companhia - Foto Divulgação

Na peça Guerra, a Próxima Companhia apresenta espetáculo produzido a partir da pesquisa de um ano pelo centro de São Paulo

Em Os Sete contra Tebas, Ésquilo usa da disputa fratricida entre Etéocles e Polinices, filhos de Édipo, o rei de Tebas, para mostrar como a pólis (que deu origem ao conceito de cidade-estado) interferia no desenvolvimento das civilizações. Em São Paulo, essa luta entre irmãos também acontece, mas por ser ou se fazer invisível diante da maioria é que a peça Guerra se revela um achado dentro da abundante programação teatral.

A montagem, com dramaturgia de Victor Nóvoa, ocorre na sede da Próxima Companhia. O grupo foi formado em 2014 e, dois anos depois, se mudou para o bairro da Santa Cecília. O espaço independente, e precário se comparado a outros palcos da metrópole, demanda dos atores uma aproximação constante com o público. É um desafio potencializado por uma peça que trata dos conflitos sociais da cidade, temas áridos e nem sempre amigáveis. Sabemos o que está acontecendo na Favela Moinho, vítima de incêndios nunca investigados, na Cracolândia com suas relações humanas ou subumanas permanentemente fragilizadas, no processo de “higienização” de Higienópolis ou na tentativa gourmetizadora de revitalizar o Largo do Arouche? A resposta é não.

Edgar Castro, que assina a direção da peça Guerra, ajudou na organização do trabalho dos sete atores que mergulharam em pesquisas de um ano em territórios dessa Tebas paulistana. O estilo jogral da peça provoca certa estranheza. Mas foi a forma encontrada para dar voz a personagens esquecidos ou raramente ouvidos de disputas que revelam uma região central eternamente conflagrada. A história grega serve de argumento, mas não se trata de montagem sobre o texto de Ésquilo. Esta é, afinal, uma tragédia paulistana.

Guerra. Com a Próxima Companhia. Na Barão de Campinas, 529, São Paulo. De sexta a segunda-feira, às 20 horas. Até 9 de dezembro. Ingresso voluntário.

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