Já se imaginou caindo, sem mais nem menos, dentro de uma aldeia indígena no coração da floresta amazônica? E, mais, tendo de repente que se comunicar numa dificílima língua indígena?
Pois bote reparo só na seguinte narrativa, que recolho do livro “Memórias de Brasileiros – Uma História em Todo Canto” (ed. Peirópolis, 2007). Quem se expressa é Teodoro Pasiku Pereira Xerente, nascido índio na aldeia Xavante Baixa Funda, em Tocantins:
“Na nossa casa se falava a nossa língua. Português é difícil. Eu me lembro da primeira vez que fui à cidade. Meu pai me levou para conhecer os brancos. Já tinha visto li na Baixa Funda um professor e as enfermeiras, mas não era muito, não. Nossa, quando cheguei na cidade, me espantei, fiquei nervoso de ver tanto branco. Fiquei com medo. Falei para o meu pai: ‘Vamos embora, papai’. E ele: ‘Não sinta medo, não, meu filho. Eles não mexem com ninguém, não’. Aí, o medo passou”.
Não é genial? Não é impressionante como tudo depende dramaticamente do ponto de vista com que a gente olha?
Precisamos de um quilo de farinha pra fazer FAROFAFÁ!
Somos o único veículo crítico e progressista dedicado exclusivamente ao jornalismo cultural, nas suas mais variadas frentes: livros, filmes, música, artes, teatro etc. Se você chegou até aqui é porque está do nosso lado. Ajude FAROFAFÁ a fortalecer o debate e a cultura brasileira.
Diferente dos grandes veículos, não somos donos bilionários e não corremos atrás de cliques a qualquer custo. Isso significa duas coisas:
1. Farofafá trata do que importa para a cultura brasileira — do teatro de grupo às periferias musicais, da literatura marginal às artes visuais — sem precisar agradar patrocinadores.
2. Praticamos jornalismo de fôlego. Críticas, reportagens e ensaios nascem de quem foi ao teatro, ouviu a música, leu o livro, viu a exposição. E tudo o que publicamos é gratuito para qualquer leitor — e queremos que continue assim.
Você pode ajudar a deixar Farofafá mais forte e vibrante! Escolha sua forma de contribuir e vamos farofafar juntos!