Ricardo Nash tem sobrenome de rockstar britânico, mas não nega suas raízes. Literalmente. O ator, cantor, compositor e violeiro acaba de lançar “Moda à Terra”, seu terceiro álbum, que reúne temas cantados e instrumentais e conta com as participações das cantoras Ceumar e Nô Stopa.
O sucessor de “Santo menino vagabundo” (2013) e “No paraíso perdido (Ao vivo)” (2022) abre com “Tecendo palavras”, com a viola marcando seu canto falado em uma ode ao ensinamento que um sabiá pode dar ao homem, clima que permeia o trabalho.
O ar bucólico, realçado pela viola e pelo modo de Ricardo Nash cantar, parece nos transportar a outro ambiente, diferente da correria urbana a que nos acostumamos e da pressa que insiste em, por exemplo, termos passado, de uns tempos para cá, a ouvir música sem parar para fazê-lo, sem prestar atenção na mensagem.
“Moda à terra” exige atenção e reflexão. O álbum, contemplado pela sétima edição do Edital de apoio à música para a cidade de São Paulo da Secretaria Municipal de Cultura da capital paulista, é um projeto ambicioso, originalmente encomendado pelo Sesc Pompeia e apresentado como parte da defesa da dissertação de mestrado do artista, no Teatro Oficina.
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QUERO APOIAREm meio a composições autorais, há músicas de Ceumar (“Terra irmã”, parceria com Pedro Destro, que Nash canta em duo com Nô Stopa), Flávio Tris (“Terra Terra”) e poema de Mário de Andrade (1893-1945) (“Abraço no leito”). Há elementos de música caipira, folk e música sinfônica. Nash (voz e viola caipira) está acompanhado por Maurício Damasceno (percussão), Felipe Soares (acordeom), Elisa Monteiro (viola de arco), Mica Marcondes (violino), Vanna Block (violoncelo), Fábio Sá (baixo), com a maioria dos arranjos assinados por William Guedes, num álbum em que o feminino (“signo de elemento Terra”, como cantaria um antigo compositor baiano) se destaca também entre instrumentistas e convidadas.
Além do álbum, a palavra terra aparece no título de nove das 16 faixas de “Moda à Terra” (“Terra grita”, “Terra crise”, “Terra Terra”, “Terra irmã”, “Terra atravessa”, “Terra baila”, “Terra treme”, “Terra sonha” e “Canta Terra”), evocando “o monstruoso e o sublime”, para voltarmos ao antigo compositor baiano. Nash reafirma, com sua arte, a necessidade do cuidado coletivo com o planeta que habitamos, sem didatismos, moralismos baratos ou soar panfletário.

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Ouça “Moda à Terra”:





