O FotoRio 2025, um dos mais respeitados festivais de fotografia da América Latina, abre hoje, terça-feira, 9 de setembro, às 19 horas, no Centro Cultural Justiça Federal (Avenida Rio Branco, 241, Centro do Rio de Janeiro), nove exposições inéditas que exploram “múltiplos campos da fotografia, do documental ao performativo, do político ao poético”. Entre essas importantes mostras simultâneas, o festival apresenta um projeto que define como de enorme relevância histórica e social: O Povo Leva! O Povo Leva! – O Funeral de JK, documentação fotográfica de Juvenal Pereira (com curadoria de Milton Guran), acerca de um momento de comoção nacional durante o funeral de ex-presidente Juscelino Kubitschek, ocorrido em 22 de agosto de 1976, há quase 50 anos.
No próximo dia 22 de outubro, às 18 horas também, a exposição O Povo Leva! O Povo Leva! – O funeral de JK abrigará uma roda de conversa com o artista Juvenal Pereira, testemunha dos acontecimentos do funeral. Integrado aos eventos da Temporada França-Brasil, o FotoRio 2025 terá mostras dos artistas Karl Joseph e Marc-Alexandre Tareau, Kamikiá Khisêtjê, Renan Khisêtjê e Sâksô Khisêtjê, Gabriel Chaim, Tanara Stuermer, Luiza Baldan, Aleta Valente, Karen Paulina Biswell, Alice Pallot, Sophie Zénon, Flora Nguyen, Caroline Tabet, entre outros. Todas as atividades são gratuitas.

O fotógrafo Juvenal Pereira é um veterano do fotojornalismo e tem um extensa folha corrida de serviços prestados ao jornalismo. Abaixo, um pequeno currículo do artista, que é colaborador de FAROFAFÁ:
Fotografou o Clube da Esquina se formando em Diamantina, o rolling stone Charlie Watts gargalhando em São Paulo, o maluco beleza Raul Seixas de quimono de judô, o poeta Paulo Leminski em pose de lótus.
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QUERO APOIARFotojornalista de profissão, agitador e realizador cultural por vocação, Juvenal Eustáquio Pereira fará 79 anos no próximo dia 24 de novembro, é mineiro de Água Suja e começou a fotografar para a sucursal da revista O Cruzeiro em 1970. Vive em São Paulo desde o início daquela década.
Reconhecido como aglutinador de talentos, mediador de conflitos, conselheiro natural de aflições & ansiedades, estabeleceu-se há 5 anos no sertão de Camburi, no Litoral Norte de São Paulo. Ali, com o auxílio de arquitetos e antropólogos amigos, construiu uma casa no interior da Mata Atlântica do litoral paulista inspirada em um desenho da habitação tradicional de um dos nossos povos em vias de desaparição, os Avá-Canoeiro do Tocantins.
No sertão de Cambury, Juvenal Pereira montou há um ano um audacioso projeto com o intuito de aglutinar os inúmeros artistas que mantém ateliês independentes no meio da Mata Atlântica: o Portal das Artes, que já vai para sua terceira edição. De forma aberta e colaborativa, totalmente independente, o Portal das Artes do Sertão de Cambury reúne a produção dos diversos artistas, artesãos e chefs de cozinha que vivem ali refugiados da loucura da grande São Paulo, buscando um modo de vida em comunhão com a natureza. Juvenal tem como marca registrada o combate aos preconceitos e à hierarquização do sistema artístico. Todos têm seu lugar e seu valor em seu abrigamento conceitual.
Em Cambury, realiza oficinas de fotografia, promove encontros artísticos, atua como conselheiro cultural do município de São Sebastião, auxilia na realização de eventos em espaços culturais da região (como o Escambau, em Boiçucanga). Seu acervo, mantido com recursos próprios no sertão, abriga não apenas sua prodigiosa trajetória no fotojornalismo, mas pesquisas aprofundadas no registro da presença afrobrasileira nas diversas manifestações de arte, política e sociedade brasileiras.
Em 2017, Juvenal esteve na nascente do Rio Doce, em Minas Gerais, coletou amostras da água e montou, no Parque do Ibirapuera, a obra Robalo do Rio Doce, que integrou a exposição coletiva Zoo Urbano, sob curadoria do sino-americano Burt Sun – sua obra é uma denúncia ambiental, uma advertência contra a situação que possibilitou o desastre de Mariana (MG) em 2015, que contaminou com 50 toneladas de lixo tóxico e lama o curso do rio e penalizou as populações vizinhas.
Sua ação, como artista da fotografia, é a de ampliar o registro para a força do ativismo, da vontade, da cidadania, do bom relacionamento humano.






Grande Juvenal!