Em reunião com representantes do coletivo Memória Viva Ventoforte, que chancela o legado cênico do teatro demolido no dia 13 de fevereiro pela Prefeitura de São Paulo, o secretário de Cultura da capital, Totó Parente, anunciou que, “por determinação do prefeito Ricardo Nunes, nós iremos construir um novo espaço cultural” no Parque do Povo, no Itaim Bibi. O secretário não mencionou o que será feito para reconstruir o espaço da Capoeira Angola Cruzeiro do Sul, de Mestre Meinha, que também funcionava no Parque do Povo e foi igualmente demolido.
O recuo da Prefeitura é resultado da repercussão negativa que a destruição do teatro, feita de surpresa e ao arrepio da lei (e do contrato de cessão do parque, assinado com a Caixa Econômica Federal e o INSS, donos do terreno). Também decorre da ampla mobilização nacional que foi acionada pelos atores, atrizes, bailarinos, bailarinas, músicos e musicistas e artistas ligados à história, e pelos parlamentares Guilherme Boulos, Luciene Cavalcante e Carlos Giannazi e os vereadores Celso Giannazi e Luna Zarattini. A demolição, além de soterrar anos de simbolismo cultural de um teatro com linguagem única, de meio século e reconhecida internacionalmente, também arrasou o acervo do Ventoforte, pulverizando cartazes, fotografias, um piano, documentos e manuscritos.
O recuo da Prefeitura é de se comemorar, já que, até ontem, não havia nem uma palavra da administração municipal acerca do ocorrido no Parque do Povo em fevereiro. O anúncio da construção de “um novo espaço cultural” não especifica qual será o papel do coletivo Ventoforte na definição da natureza do espaço, de sua consonância com o projeto original de ocupação do Ventoforte de Ilo Krugli e qual será o modelo de gestão que a Prefeitura aceitará. Mas Totó Parente disse que a reconstrução visa garantir que o “Teatro Ventoforte volte mais forte, levando cultura de qualidade pro povo de São Paulo” e que é um compromisso assumido pelo prefeito, Ricardo Nunes. Estavam presentes à reunião, no Centro Cultural da Diversidade, o secretário do Verde e do Meio Ambiente, Rodrigo Ashiuchi (pasta responsável pela demolição intempestiva) e a vereadora Marina Bragante (Rede-SP).