O famoso Teatro do Paiol em dois tempos: antes e depois da reforma empreendida pelo prefeito Rafael Greca

O prefeito de Curitiba, Rafael Greca, acaba de produzir o seu exemplar de Ecce Homo em relação ao patrimônio histórico da capital paranaense. Ele mandou rebocar e pintar de abóbora um dos mais icônicos teatros do Sul do Brasil, o Teatro Paiol, um antigo depósito de pólvora que foi adaptado pelo arquiteto Abrão Assad e tornou-se uma sala de apresentações em 1971. A comparação jocosa com Ecce Homo tem sido feita desde que se revelou a reforma, com o intuito de que se possa ter uma ideia do tamanho do absurdo – na Espanha, em 2012, uma senhora idosa incumbiu a si mesma de restaurar o afresco Ecce Homo, feito pelo pintor García Martínez (1858-1934) nas paredes do Santuário da Misericórdia em Borja. O resultado foi desastroso e virou um meme mundial.

O arquiteto responsável pelo projeto de reciclagem da fábrica de pólvora e sua transformação em teatro, Abrão Assad, soltou um comunicado chamando a reforma de Greca de “uma desastrosa, grotesca e irresponsável descaracterização da obra original”. Segundo Assad, os órgãos da Prefeitura responsáveis pela preservação do acervo patrimonial não foram consultados, e teriam se mostrado agora solidários com o “sinistro acontecimento”.

O prefeito acabou sabendo da gozação e respondeu em uma rede social o seguinte: “A comparação (com Ecce Homo) não tem cabimento. Nosso Paiol precisa ser rebocado para proteção dos tijolos antigos que são anteriores a 1874. Se fosse descascado, o velho Paiol poderia arruinar-se”. Não se mostrou convincente: a pátina original trabalhada pelo tempo era um dos principais encantos da edificação, e sua cobertura é algo praticamente irreversível, embora o arquiteto Abrão mostre disposição em reverter a ação do prefeito.

O Teatro Paiol é uma instituição do teatro brasileiro. A sala foi inaugurada em 27 de dezembro de 1971 com um show de Vinicius de Moraes, Marilia Medalha, Toquinho e Trio Mocotó. Mas já era usada como sala de espetáculos havia dois anos, quando foi adaptada por Perry Salles e Miriam Mehler, com projeto cênico do arquiteto Rodrigo Lefèvre. Ao longo desses anos, passaram pelo palco artistas como Djavan, Gonzaguinha, Hermeto Pascoal, Zizi Possi, Elza Soares, Leni Andrade, entre centenas de outros. Sua consolidação foi obra de muitos artistas, nomes como Paulo Goulart e Nicette Bruno, que também fizeram parte da gestão do Paiol.

Restauro do Teatro Paiol virou meme nas redes sociais

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