O avião anfíbio Catalina, uma das duas aeronaves tombadas pelo Iphan

O Ministério do Turismo homologou na manhã desta sexta-feira, 11 de fevereiro, o tombamento de dois aviões de guerra da Força Aérea Brasileira (FAB), dois modelos Catalina que estão no acervo das Forças Armadas – um está no Museu Aeroespacial do Rio de Janeiro e o outro na Base Aérea de Belém, Pará. O tombamento foi aprovado nas reuniões do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) nos dias 10 e 11 de novembro de 2021.

O relator do processo de tombamento dos aviões de guerra no Iphan foi o vice-almirante da Marinha José Carlos Mathias, que foi nomeado pelo governo Bolsonaro para o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural em 8 de janeiro de 2021 como um dos representantes da sociedade civil. O tombamento mostra um avanço do pensamento belicista do governo federal, que já manifestou também intenção de tombar armas de fogo como objetos de valor cultural para o País, segundo uma portaria do Iphan de maio do ano passado.

O Consolidated Vultee 28, o avião Catalina, é uma aeronave anfíbia de fabricação canadense com capacidade para 5 tripulantes destinada a missões de patrulha marítima. O modelo do Museu Aeroespacial voou pela primeira vez em 1935 e foi mais utilizado na Segunda Guerra Mundial pela Real Força Aérea Canadense. A Força Aérea Brasileira operou esses aviões de 1943 a 1982, em missões de patrulha naval (o Catalina afundou um submarino alemão na costa do Rio).  Foi desativado em 1982.

“Saliento que todos os técnicos e pareceristas que participaram desse longo processo foram unânimes em afirmar a importância desses aviões para a memória nacional e se manifestaram, de um modo geral, em favor de sua preservação, tendo em vista a grande relevância histórica de sua participação”, disse, em seu parecer, o vice-almirante José Carlos Mathias. A questão não é nem a importância dos aviões, mas a necessidade: o Ministério da Defesa é um dos maiores orçamentos do País, não lhe falta dinheiro para preservar os seus bens, enquanto o patrimônio histórico está à míngua, com recursos cada vez mais escassos (por decisão política do atual governo).

O elogio da solução armada é cortejado por grupos de apoio ao bolsonarismo, como os monarquistas, que tentam se apoderar do Museu Histórico Nacional, no Rio, para explicitar as suas bandeiras. Com o aparelhamento do Patrimônio Histórico e outros órgãos afins, como o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), as intenções começam a passar da bravata para a efetiva consumação de um desejo de exaltar a nostalgia de uma glória que nunca aconteceu – o Brasil como potência militar.

O estímulo ao armamentismo, uma das principais (e únicas) bandeiras do bolsonarismo, tem se mostrado eficiente no Brasil. Em 2020, foram vendidas 180 mil novas armas de fogo no Brasil, um aumento de 91%. As armas importadas também progridem velozmente. No ano passado, houve um crescimento de 12% no total de revólveres e pistolas importadas. Entre fuzis, carabinas, metralhadoras e submetralhadoras, registrou-se um aumento de 574%.

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