Roberto Carlos e Raul Sampaio, parceiros cachoeirenses

Morreu nessa terça-feira, às 20 horas, no Hospital Unimed de Cachoeiro do Itapemirim, Espírito Santo, aos 93 anos, o compositor Raul Sampaio Cocco, autor de um dos mais simbólicos e executados sucessos de Roberto Carlos, Meu Pequeno Cachoeiro. Raul teve falência dos órgãos. Gravada no magistral disco de 1970 de Roberto, a música já era conhecida desde 1962, quando fora incluída em disco do próprio compositor na RGE. Quando Roberto Carlos gravou sua versão de Meu Pequeno Cachoeiro, a música também já tinha sido declarada hino oficial da cidade natal do cantor capixaba, Cachoeiro de Itapemirim, uma lei de 1966. Também foi Raul Sampaio quem levou Erasmo Carlos para gravar seu primeiro disco pela RGE, e lhe cedeu sua composição A Carta (com Benil Santos), sucessão do Tremendão.

Raul Sampaio será sepultado no Cemitério Parque, em Cachoeiro de Itapemirim, hoje, às 17 horas. Os presentes certamente entoarão o seu hino máximo na despedida. O compositor, cantor e músico deixou muitas canções inéditas em um baú, que o filho, José Cocco, estuda lançar em um disco póstumo.

Nascido em Cachoeiro em 1928, Sampaio integrou o Trio de Ouro com Herivelto Martins e Maria de Lourdes Bittencourt, mulher de Nelson Gonçalves. Compôs prodigiosamente (tem cerca de 400 canções registradas), fazendo música para diversos artistas, como Cauby Peixoto (que gravou dele Nono Mandamento, de Raul e Renê Bittencourt). Suas canções foram gravadas por Orlando Silva, Nelson Gonçalves, Toquinho e Vinicius de Moraes, Elza Soares, Fafá de Belém, Maria Bethânia, a mexicana Elvira Ríos e João Bosco, entre outros.

Sampaio iniciou sua carreira na Rádio ZYL-9 de Cachoeiro, a mesma que revelou Roberto Carlos, como solista do conjunto Dois Valetes e uma Dama. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1949, quando passou a integrar o Trio de Ouro em 1952, já em sua fase final. Sua primeira composição de sucesso foi Guarda-Chuva de Pobre.

É curiosa a história de como Roberto Carlos hesitou em gravar Meu Pequeno Cachoeiro por causa da planta que figurava originalmente na letra, um genipapo. Na letra original, Raul cantava: “O meu bom genipapeiro/Bem no centro do terreiro”. Roberto se recusou a gravar assim, e conseguiu que o compositor mudasse para “Meu flamboyant na primavera/Que bonito que ele era”. Espírita, Sampaio acreditava que a canção lhe tinha sido transmitida por um espírito.

Roberto Carlos divulgou um comunicado no qual lembrou a amizade com o compositor e lamentou a perda de Sampaio. “Raul Sampaio será sempre lembrado com muito carinho e respeito por todos nós por seu talento e sua simplicidade”, afirmou Roberto. “Meu Pequeno Cachoeiro é uma canção de uma poesia belíssima e verdadeira que emociona a todos, onde quer que seja ouvida”.

Esse filme, Cachoeiro em 3 Tons, um documentário de 1994 dirigido por Cloves Mendes e com roteiro de Luiz Trevisan, mostra a história da canção mais famosa de Raul Sampaio:

 

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