O publicitário Luiz Lara e o governador João Dória

O deputado estadual Gil Diniz (sem partido-SP) protocolou na terça-feira, 15, na Assembleia Legislativa do Estado, um requerimento de informações ao Secretário Especial de Comunicação do Estado de São Paulo, Cleber Mata. Diniz, bolsonarista eleito pelo PSL (do qual foi expulso) com o codinome de Carteiro Reaça, pede esclarecimentos sobre os valores gastos com publicidade, propaganda e monitoramento das redes sociais do governo paulista. A oposição ao governo de João Doria Jr. questiona o resultado de uma licitação de R$ 90 milhões do último dia 30 de abril que escolheu a agência de publicidade Lew’Lara/TBWA para prestar serviços de publicidade à Sabesp até 31 de dezembro. O resultado do aditivo saiu na Imprensa Oficial no dia 7 de maio. O deputado Danilo Balas (PSL-SP) também entrara com uma ação popular em março para suspender outro aditivo da mesma agência (o contrato de publicidade, de 2018, vem ganhando aditivos a cada seis meses com valores muito expressivos).

O dono da agência selecionada, Luiz Lara, foi sócio do governador João Doria Jr. e Stalimir Vieira a partir de 1989 na agência DLS (as iniciais da agência juntam a iniciais dos nomes dos sócios, Doria, Lara e Stalimir). Eles são amigos desde a adolescência, quando estudaram juntos no Colégio Rio Branco. Lara assessorou Doria no setor de marketing da antiga Paulistur e depois o seguiu também na Embratur, da qual foi diretor de marketing. Foi o irmão de João Doria, Raul Doria, quem apresentou Lara à publicidade – Raul integrou o conselho de comunicação do executivo paulista até maio de 2020, quando se afastou alegando divergências com a estratégia do governo.

Produtor audiovisual, Raul Doria mantinha a empresa Cine Cinematográfica, que produziu ao menos três videos publicitários para a Lew’Lara/TBWA a partir de 2019. O nome de Raul foi mencionado em investigação do Ministério Público Federal (MPF) que implicou o ex-presidente da Ancine, Christian de Castro, e o ex-ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão (atual Secretário de Cultura e Economia Criativa do governo Doria) em uma investigação de associação lesiva ao interesse público naquela agência de cinema. Por causa das acusações, Christian de Castro acabou afastado da direção da Ancine em agosto de 2019. Recorreu, mas terminou renunciando ao cargo no dia 13 de novembro daquele ano. O Ministério Público Federal (MPF) o acusa, e a Sá Leitão, de terem montado uma associação entre servidores de alta patente da agência para agir com o intuito de assegurar privilégios e lesar o patrimônio público. Tornado réu na Justiça Federal, Sérgio Sá Leitão inicialmente arrolou como suas testemunhas de defesa João e Raul Doria e também o ex-presidente Michel Temer.

A conta publicitária do governo do Estado de São Paulo tem sido dividida entre a Lew’Lara\TBWA, Propeg e a Z515. Segundo nota do informativo Meio & Mensagem, para cada trabalho de comunicação, o governo analisa as propostas das três agências e seleciona a mais adequada a cada função (às vezes, as agências trabalham em conjunto).

ATUALIZADA NESTE SÁBADO ÀS 17h20:

A agência de publicidade Lew’Lara/TBWA experimenta um notável crescimento a partir do momento em que João Doria Jr. assume o governo de São Paulo. Em 2018, quando Doria vence a eleição para governador, a agência ocupava o 18º lugar no ranking de maiores agências de publicidade (Kantar Ibope Media). Ao final de 2019, já tinha subido para o 14º lugar e o total de investimentos passou de R$ 1.747 bilhão para R$ 2.193 bilhões. Em 2020, mesmo no ambiente de retração da pandemia, subiu de novo para o 12º posto do ranking, e o investimento bateu em R$ 2.284 bilhões. Meio bilhão de reais a mais entrou no caixa da agência em 3 anos de governo.

A relação profissional de Doria com o publicitário Luiz Lara é mais antiga do que reportado anteriormente nesta reportagem. Em 1988, antes mesmo de criarem juntos a agência DSL, eles já tinham aberto em sociedade a Voice Comunicação Institucional, que logo se tornou uma das maiores de comunicação institucional de São Paulo (com uma carteira de clientes que incluía a Accor, o Banco Cruzeiro do Sul, a Helibras e o turismo oficial da Ilha de Aruba).

 

 

 

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