"Nascimento de um instante e Aurora". Frame. Bruno Graziano. Reprodução

O guitarrista da Nação Zumbi, Lucio Maia, após projetos paralelos como Maquinado (“Homem binário”, de 2007, e “Mundialmente anônimo: o magnético sangramento da existência”, de 2010), “AlmaZ” (com Seu Jorge e Antonio Pinto, de 2010), além de dois discos com o Soulfly (“Soulfly”, de 1998, e “Tribo”, de 1999) volta a nos surpreender.

Desta feita, e em plena quarentena, torna público o curta-metragem “Nascimento de um instante e Aurora”, dirigido por Matheus Machado, uma espécie de ep audiovisual cujos títulos de duas faixas se juntam no do filme – ambas estão no instrumental “Lúcio Maia”, estreia solo do guitar hero pernambucano.

Em um baile frequentado majoritariamente por pessoas na terceira idade, Lucio Maia pilota sua guitarra como se abolerasse o peso do maracatu de sua banda, com ecos do tecnobrega paraense. No salão não há espaço para o preconceito, sendo ele frequentado também por gente jovem.

Em meio à trilha, depoimentos reais de gente de verdade que comumente tem sido reduzida à expressão “grupo de risco” em meio à pandemia de coronavírus. O filme traz uma importante reflexão sobre liberdade, prazer e vida, em contraponto à cartilha e à máquina de moer gente neoliberais, para os quais pessoas são apenas peças de uma engrenagem a serviço do lucro, que cumprido o tempo de serviço não deveria gozar aposentadoria para não correr o risco de quebrar a previdência.

“Qualquer pessoa que consiga andar consegue aprender a dançar, por que dançar é uma espécie de andar mais elaborado”, diz a certa altura Luiz Guilherme, LG, um dos quatro protagonistas do baile e da esticada até a praia, num passeio que em síntese tem a ver com a liberdade cantada por Raul Seixas no ideário da Sociedade Alternativa: “faz o que tu queres, pois é tudo da lei”.

No tempo da indelicadeza, a luz neon pode ser o arco-íris após uma tempestade.

“Nascimento de um instante e Aurora” foi disponibilizado hoje (29) no youtube. Assista:

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