É Tudo Verdade - Série Women Make Film - Tilda Swinton e Kira Muratova
É Tudo Verdade - Série Women Make Film - Tilda Swinton e Kira Muratova

O festival internacional de documentários É Tudo Verdade celebra seus 25 anos, mas calhou desta data ser atropelada pelo coronavírus. O que poderia representar um balde de água fria vai virar uma dupla comemoração, com uma fase online e outra, pós-pandemia, com projeções em salas de cinema de São Paulo e Rio de Janeiro entre 24 de setembro e 4 de outubro. O que já está no ar é uma oportunidade para revisitar a história do festival e ter acesso a algumas obras inéditas. São cerca de 50 horas de programação.

Criado e dirigido pelo crítico Amir Labaki, o É Tudo Verdade firmou parceria com a SP Cine, o Itaú Cultural e o Canal Brasil Play. Fiel à filosofia democrática de dar acesso a produções de difícil acesso, a edição deste ano traz a cópia restaurada da série greco-francesa A Herança da Coruja, de Chris Maker, a série britânica Women Make Film, de Mark Cousins, o ciclo As Diretoras no É Tudo Verdade, incluindo o inédito O Segundo Encontro, de Veronique Ballot, a série Cineastas do Real, com entrevistas de Amir Labaki, o diretor-fundador do festival, com 26 documentaristas brasileiros, e dois documentários sobre o cineasta José Mojica Marins, o Zé do Caixão, recém-falecido.

Entre 1987 e 1989, no nascimento da tevê por assinatura na França, o cineasta Chris Maker reuniu filósofos, artistas, escritores, cantores e cineastas para refletir sobre o legado da cultura grega. Em mesas com banquetes fartos ou em gravações individuais, discute-se desde o conceito (ou o não-conceito) do inconsciente para os gregos até a ruptura dos estereótipos que reinam como sendo a Grécia o país por excelência da medida, da luz e da harmonia das formas. Há que se lembrar das tragédias, de Édipo, que precisou furar os olhos para descobrir a verdade, ensinam os comensais filosóficos. Ou que, como diz George Steiner, a cultura grega sempre nos oferece um terceiro caminho, o do desconhecido ou da ambiguidade.

Mark Cousins discute a história do cinema a partir do olhar feminino, rendendo tributos a nomes como Agnès Varda, Alice Guy, Heddy Honigmann e Jane Campion. Em 40 capítulos, o diretor elencou 183 diretoras, que produziram mais de 700 filmes.

É Tudo Verdade. Acesso em etudoverdade.com.br, spcineplay.com.br, itaucultural.org.br e globosatplay.globo.com/canal-brasil.

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