Ancine
O ex-presidente da Ancine, Christian de Castro (direita) e o grupo de colaboradores que virou réu na Justiça

A Agência Nacional de Cinema (Ancine) exonerou ontem novamente dois servidores do grupo do ex-presidente Christian de Castro apenas 7 dias após tê-los reintegrado. Magno Maranhão Júnior e Juliano Vianna tinham sido readmitidos na semana passada por ordem do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, mas, no mesmo dia 20, uma nova decisão, dessa feita do juiz Renato Cesar Pessanha de Souza, a 8ª Vara da Justiça Federal, determinou seu desligamento em atenção a uma ação civil pública de improbidade administrativa.

A Ancine não obedeceu a segunda ordem de desligamento, realocando os dois ex-diretores em cargos na gerência de recursos humanos. Mas, na sexta-feira à noite, um oficial de Justiça foi até a agência para citar sua direção pelo descumprimento da ordem judicial. É a terceira tentativa de retomada das funções pelos ex-servidores, numa espécie de efeito ioiô de decisões judiciais.

Maranhão Júnior e Juliano Vianna eram da alta cúpula da gestão de Christian de Castro, além de amigos pessoais do ex-presidente. A agência também desligou novamente Marcos Tavolari (que já não era funcionário da Ancine, mas secretário de Direitos Autorais do Ministério da Cidadania) e Ricardo Cesar Pecorari.  Também  foi incluído na decisão de improbidade administrativa o nome de Raul Fernando Dias Doria, irmão do governador João Doria Jr (que atualmente emprega Sérgio Sá Leitão, ex-ministro da Cultura e também envolvido no processo como réu).

O Ministério Público Federal pediu essa semana à Ancine documentos que podem implicar outros servidores no esquema de que Christian de Castro (que renunciou à presidência) é acusado, casos do ex-superintendente de Fomento, Marcial Campos, e da ex-superintendente de Desenvolvimento Econômico, Angélica Coutinho. Já é investigado também o irmão de Christian de Castro, Erik de Castro (que teria sido beneficiado pelo irmão presidente). O Ministério Público Federal alega que os réus, na condição de agentes públicos, articularam ações entre si para auferir “vantagem patrimonial em razão dos cargos e funções públicas ocupadas” e “violaram diversos princípios basilares da administração pública, com o intuito de que o réu Christian de Castro assumisse o cargo de diretor presidente da Ancine, beneficiando todo o grupo integrado pelos réus”. Na semana passada, alguns deles tiveram os bens bloqueados.

Os ex-servidores Maranhão Júnior e Juliano Vianna mudaram de advogados recentemente. Antes, estavam todos com o mesmo defensor, o afamado escritório de Técio Lins e Silva, na Avenida Rio Branco, no Rio (que defendia todo o grupo). Para observadores da questão, isso pode significar que alguns deles estão estudando delação premiada.

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