Mariene de Castro e Almério - Foto de Renan Olivetti

A baiana (de Salvador) Mariene de Castro e o pernambucano (de Altinho) Almério se encontraram no palco do show Acaso Casa, que agora se transforma em CD ao vivo pela gravadora Biscoito Fino. Os dois têm registros vocais que chegam a confundir o ouvinte em certos momentos, embora a interpretação dela se destaque pelo tom derramado, à la Maria Bethânia, e a dele encante pelo sotaque interiorano pernambucano marcado e gostoso, entre Altinho e a Caruaru onde Almério cresceu.

As 18 faixas contemplam uma minoria de canções dos repertórios de cada artista e uma maioria luminosa de clássicos do cancioneiro nordestino. Somam-se encontro baiano-pernambucano de Gilberto Gil Dominguinhos (“Lamento Sertanejo”), acid rock pernambucano de Alceu Valença (“Na Primeira Manhã”) e soft choro pernambucano de Geraldo Azevedo (“Príncipe Brilhante”), sambas baianos de Roque Ferreira (“Foguete”) e de Nelson Rufino (“Amuleto da Sorte”), o forró-brega pernambucano de Accioly Neto (“Espumas ao Vento”), o Maranhão de Zeca Baleiro (“Salão de Beleza”) e a Paraíba de Chico César (“Deus Me Proteja”) e, sobretudo, muito repertório pernambucano de Luiz Gonzaga (“Boiadeiro”, “Pau de Arara”, “Estrada de Canindé”, “Respeita Januário”).

Poucos momentos saem do chão firme nordestino: o “Avesso” da mineira Ceumar, os sambas cariocas que costumam habitar o repertório de Mariene (“Mas Quem Disse Que Eu Te Esqueço”, de Dona Ivone Lara Hermínio Bello de Carvalho, “Saudade Louca”, de Arlindo CruzFranco Acyr Marques), o afro-samba carioca de influência baiana de Baden Powell Vinicius de Moraes (“Canto de Ossanha”). Seja na voz mais grave de Mariene ou na mais aguda de Almério, as interpretações são o ponto alto de Acaso Casa, muita casa e pouco acaso.

Acaso CasaDe Mariene de Castro e Almério. Biscoito Fino.

 

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