Guerra Fria, do grupo Papa Poluição
Rock star nos anos 1970, o potiguar José Luiz Penna, de 71 anos, é o novo Secretário da Cultura do Estado de São Paulo. É um dos dois principais líderes do Partido Verde (PV) – o outro é o contestado Zequinha Sarney. Penna tentou se eleger deputado federal em São Paulo em 2014, mas teve votação inexpressiva. Ele e o ministro da Cultura, Roberto Freire, são muito amigos e foram colegas de Partido Comunista.
O PV paulista é uma legenda que tem atuação no mínimo controversa: partido presumivelmente ambientalista, milita numa cidade onde há centenas de rios mortos (situação que não move uma palha para mudar) e é coligado com o PSDB, que governa o Estado há 22 anos e gastou bilhões para despoluir o Rio Tietê, devolvendo-o pior do que era.
Penna foi acusado por adversários políticos de “alugar” a legenda em diversas ocasiões, uma delas para que Marina Silva se candidatasse à presidência. Logo em seguida, após perder a eleição, Marina abandonou o partido. Em 2012, o ex-ministro da Cultura, Juca Ferreira, um dos fundadores do PV, saiu da legenda, após acusá-la seguidamente de estar procedendo a uma “escoliose à direita”.
A trajetória de Penna nem sempre foi política. Quando era um dos três frontmen da banda Papa Poluição, nos anos 1970 (ao lado de Paulo Costta e Tiago Araripe), ele defendia um conceito de rock misturado a regionalismo com resultado muito interessante (ouça acima). A banda foi formada em 1975 e gravou apenas dois compactos e tinha um coté meio Novos Baianos, embora o rock predominasse sobre a pesquisa de ritmos. “O pessoal da MPB dizia que éramos roqueiros, os roqueiros diziam que éramos MPB”, lembra hoje Paulo Costta, guitarrista, vocalista e arranjador. 
Apesar do nome, o Papa Poluição não era um grupo de militância verde, segundo contou Paulo Costta. “O PV é coisa apenas do Penna, bem mais na frente”. 

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