Os irmãos Louis e Andre Michot à frente do Lost Bayou Ramblers, no domingo (30/8), no Ibirapuera
Os irmãos Louis e Andre Michot à frente do Lost Bayou Ramblers, no Ibirapuera

Bela surpresa (para mim que não conhecia) o show ontem dos Lost Bayou Ramblers, no Bourbon Street Fest.
Eles tocam essencialmente cajun music, a música dos pântanos da Louisiana, que é de onde eles vêm (são de Broussard e Arnaudville, duas cidades nos alagados).
Eles, entretanto, vão adiante da música tradicional e colocam um tempero de guitarra e bateria de punk rock na mistura. Têm uma performance meio parecida com a do Arcade Fire. Cantaram uma versão de My Generation, do Who, com letra em creole, ou como pediu o vocalista e violinista Louis Michot, “cantem na língua que quiserem, porque ninguém sabe mesmo qual é a língua original dessa canção”.
As palavras eram quase um esperanto, francês com africano com inglês, e quando o Louis Michot pegou um triângulo, tocando ao lado da sanfona do seu irmão Andre Michot, era evidente que aquilo era um forró.
Ainda assim, a plateia não parecia entender muito o que estava acontecendo ali. Tem uma coisa ainda mais primitiva naquele canto, algo que pode ser parente do aboio, do repente.
Contam que a atriz Scarlett Johansson, quando os viu pela primeira vez, ficou tão siderada que quis gravar com eles. E gravou. No disco Mammoth Waltz (2012), ela canta com eles a canção Coteau Guidry (em duas versões).
Scarlett não é a única fã famosa: Dr. John também gravou e tocou com eles. No disco, ele abre com Le Réveil de La Louisiane. Jack White também adora.
Já foram indicados ao Grammy e não são exatamente uns novatos – têm quase 20 anos de estrada.
Perdi o Galactic por motivos de jogo do Santos, mas eu os verei ainda um dia.

* Publicado originalmente em El Pájaro que Come Piedra

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