Sinal dos tempos: o novo trabalho de Gilberto Gil chegou primeiro à internet, e está gratuitamente disponível para a audição de qualquer ser vivente, via Rádio UOL.

Gil + 10 – Gilberto Gil Convida guarda espírito despretensioso e tonalidades delicadas – é um CD/DVD gravado ao vivo no Teatro Tom Jobim, no Rio, com Gil cantando sucessos seus em versões despidas, dez delas acompanhadas por outros nomes da MPB e do pop brasileiro. Aparentemente liberto da infraestrutura das velhas gravadoras, o ex-ministro da Cultura assiste ao lançamento ancorado em marcas como Nextel, Saraiva e UOL: sinal dos tempos.

Zeca Pagodinho retransforma o samba “Aquele Abraço” (1969) em samba. Erasmo Carlos retransforma em punk-iê-iê-iê da periferia “O Rock do Segurança”, “Extra II” (1984) – na introdução, a dupla cita “Orra Meu” (1980), da ausente Rita Lee. Milton Nascimento retransforma em MPB a grave MPB “Cálice” (1973), de Gil e Chico Buarque, mas também o lamento sertanejo “Lamento Sertanejo” (1975), de Gil e Dominguinhos.

O samba leva mais duas: “Acreditar” (1979), de e com Dona Ivone Lara, e o reggae “Deixar Você” (1982), com Mart’nália.

O afropop baiano-carioca-mineiro ganha a parada em quatro faixas. “Andar com Fé” (1982) volta com a filha Preta Gil (algo desafinada diante do pai), e amalgamada à deliciosa “Vida”, que Gil cantara com Gal Costa no primeiro e único disco do grupo afro-reggae Obina Shok, em 1986. “Torpedo”, com Ana Carolina, que lançou a parceria com Gil em seu disco N9ve, de 2009. A não-novidade “A Novidade”, parceria lançada originalmente pelos Paralamas do Sucesso, em 1986, volta revigorada, mais reggae do que já era. E o baladão “A Linha e o Linho” (1983) revira baladão em dueto com Lenine.

Sozinho, Gil abre e fecha o CD, respectivamente com “Palco” (1981) e “Essa É pra Tocar no Rádio” (1975). Em resumo, é tudo mais do mesmo, mas com a competência e o clima sereno de sempre: sem sinal de passagem dos tempos.

 

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