do livro “o grande filme – dinheiro e poder em hollywood”, de edward jay epstein, página 212 (*), sobre a “revolução do dvd” na indústria cinematográfica:

(e me diz se a gente já não assistiu a esse mesmo filme, com esse mesmíssimo enredo, apesar da linguagem mais modernex e da roupagem mais anos 2000?)

“No atual sistema, os filmes passam nos multiplex por algumas semanas apenas e são relançados, meses depois, nas videolocadoras. Em 2002, uma média de 50 milhões de americanos por semana – mais de duas vezes o público semanal dos cinemas – se dirigiu a uma das mais de 30 mil videolocadoras do país para alugar um filme, gastando cerca de 24 bilhões de dólares, aproximadamente quatro vezes o que gastaram na compra de ingressos para o cinema. (No exterior, a proporção é ainda maior.) Além disso, os vídeos hoje são vendidos em supermercados e outras lojas de varejo. [o poderoso-chefão de viacom, cbs, paramount, blockbuster e mtv, entre outros] Sumner Redstone descreveu essa situação como ‘a bonança que salvou Hollywood da falência’.

Embora pouca gente conteste a avaliação de Redstone, no início, os grandes estúdios não viam os vídeos com bons olhos. Na verdade, quando o videocassete foi lançado, em meados da década de 1970, os estúdios, liderados por Lee Wasserman, da Universal, consideraram a inovação uma ameaça à freqüência dos cinemas, que caíra de 90 milhões, em 1948, para menos de 22 milhões em 1978. Preocupados com que os vídeos domésticos afastassem ainda mais o público potencial dos cinemas, os estúdios tentaram sufocar a nova mídia com litígios judiciais. Eles não tinham percebido ainda que o deslocamento do público dos cinemas para a exibição em casa era irreversível e que, portanto, seu futuro estava no entretenimento doméstico. Em 1979, a Fox vendeu os direitos de produção em vídeo do seu acervo por modestos 8 milhões de dólares a uma empresa chamada MagnaFilms (os quais teve depois de comprar de volta; a Columbia, após rejeitar uma proposta para criar uma divisão de vídeos, depois que seu presidente, Fay Vincent, comparou o negócio de vídeos com ‘pornografia’, cedeu à RCA os direitos de converter seu acervo a vídeos; a MGM vendeu esses mesmos direitos a Ted Turner; e a Disney se recusou a ceder seu acervo de longas-metragens animados para a produção de vídeos.

Não fosse pela ferrenha determinação de Akio Morita, da Sony, que enfrentou os estúdios nos tribunais americanos e venceu, o videocassete talvez não tivesse se alastrado pelos lares americanos e talvez hoje não existisse o maciço mercado de vídeos que sustenta os próprios estúdios que o tentaram eliminar“.

(*) os grifos e itálicos são meus.

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