Dadá Maravilha ia jogar no Corinthians. “Eu sou a vida, eu sou o gol”, anunciou, em entrevista ao Pasquim, em outubro de 1972.O Pasquim perguntou a Dadá:
– “Mas tem um problema. No Corinthians, se o centroavante não fizer um, logo logo, até os 15 minutos, começa a ser vaiado. Você sabe disso?
– “Isso é para quem não tem controle emocional. Eu, por exemplo, se chegar na área cinco vezes, faço quatro gols. Não sou de perder gol, não. Só quando tá dando muita zebra mesmo. Futebol é o seguinte: chegou ali e tem tranquilidade, é só aplicar o sutil, o mirabolante, a raiz quadrada, o labirinto, que não tem jeito pro goleiro não. É cair e levantar para buscar o caroço lá dentro.”
_ “Que negócio é esse de sutil, mirabolante e raiz quadrada?”
– “Não posso dizer. É segredo profissional. Outro dia criei mais um gol, o independência. Tudo isso vou explicar nesse livro, mas ainda não sei quando começarei a escrever. Sabe por que não posso explicar agora cada um deles? Para não dar isca a peixe-morto. No Campeonato Mineiro eu fiz um gol sutil contra o Caldense. Depois eu tive a inocência de explicar no ar como era o sutil. Aí, no outro jogo, contra o América, eu fui dar um sutil e o Écio já estava preparado para defender. Naquele jogo só tentei o mirabolante.”

(publicado no velho blog em 26 de julho de 2007)

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Jotabê Medeiros, paraibano de Sumé, é repórter de jornalismo cultural desde 1986 e escritor, autor de Belchior - Apenas um Rapaz Latino-Americano (Todavia, 2017), Raul Seixas - Não diga que a canção está perdida (Todavia, 2019) e Roberto Carlos - Por isso essa voz tamanha (Todavia, 2021)

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