onde tudo se mistura, vamos brincar de fazer remix, para experimentar o bolo que dá?

primeiro ingrediente, pegue de volta os trechos aqui reproduzidos do pensamento de helio santos, sobre um brasil que se recusa a se assumir, enodoado por suas próprias fobias, sobre essa diferença letal entre o que somos e o que pensamos/queremos ser.

segundo ingrediente, recolha fotos da nova daslu enquadrada pelo ponto de vista da favela funchal, que fica bem atrás do novo coliseu pós-moderno das menores marginais do rio pinheiros, dos maiores marginais do rio brasil.

terceiro ingrediente, apimente com a descoberta (está na “folha” de hoje) de que vários habitantes da favela funchal fizeram a faxina da nova daslu, cinco minutos antes que os “verdadeiros” habitantes da nova daslu a ocupassem com garbo, pompa, circunstância e brutal ignorância classista.

quarto ingrediente, ouça um disco antigo do cafona-kitsch-brega fernando mendes (“fernando mendes”, emi-odeon, 1979), especificamente a faixa “filho por acaso” (nenhuma novidade aqui, ok? a música brega virou referência obrigatória – alô, marcus preto – para qualquer um que tenha se aventurado a tentar entender o fundamental livro “eu não sou cachorro, não”, de paulo cezar de araújo, record, 2002). misture tudo, chacoalhe, triture, liqüidifique. agora é moda.

pronto, tudo se remixou.

“filho por acaso”
(fernando mendes-moacir mendes)

por acaso eu sou filho daquela
que por acaso meu pai abraçou
por acaso eu sou filho daquele
a quem por acaso mamãe se entregou

por acaso eu sou filho do branco
porque o negro não tinha valor
nem ao menos sou filho adotivo
por um motivo de força menor

por acaso eu sou filho do rico
porque o pobre morria de dor
por acaso eu sou filho do acaso
de um velho caso comum de amor

por acaso eu sou filho daquele
que tão somente me soube fazer
por acaso eu sou filho de um homem
que simplesmente não quis me assumir

e sozinho no mundo
eu vou tentando a vida levar
não sou culpado, ninguém é culpado
hoje eu só quero um sorriso ganhar

[* este título tenta se relacionar com os de dois tópicos antigos deste blog, o “rei” e a “mãe” (& a refavela *).]

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