Em seu artigo “O fim da música”, publicado na Falha de São Paulo, o filósofo Vladimir Safatle re-edita, em cores deliberadamente polêmicas, a tese de que vivemos um momento de rebaixamento cultural no campo da música brasileira. Este texto é uma tentativa de responder não exatamente aos argumentos de Safatle, mas problematizar alguns de seus pressupostos.

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Pra começo de conversa, não adianta responder ao texto do Vladimir Safatle contrapondo à economia dos seus argumentos uma infinidade de exemplos de música boa que está sendo feita por aí. Juçara Marçal, Negro Leo, Siba, Curumin etc. etc. etc…, a lista é enorme, mas não toca no argumento central do cara. Pois o que está em questão ali é o padrão de som hegemônico, aquele que, pra usar seus próprios termos, verdadeiramente mobiliza os afetos contemporâneos. Funk, sertanejo universitário e afins, o que toca nas rádios e TVs e ainda atinge muito mais pessoas do que os artistas citados acima. O texto deixa esse ponto bem evidente: “A despeito de experiências musicais inovadoras nestas últimas décadas, é certo que elas conseguiram ser deslocadas para as margens, deixando o centro da circulação completamente tomado por uma produção que louva a simplicidade formal, a estereotipia dos afetos, a segurança do já visto, isso quando não é pura louvação da inserção social conformada e conformista”.

Ideologicamente, Safatle está descrevendo tanto funk-ostentação quanto sertanejo universitário, músicas que no geral louvam a integração conformada, ainda que esse não seja seu único sentido, pois mesmo essa integração apresenta nuances bem mais complexas, inclusive as ideológicas. De todo modo, para ele, esse conformismo acaba por nivelar tudo por baixo: música ruim, sociedade pior. No que não deixa de ter certa razão, ainda que uma questão possível de ser colocada aqui seja o fato de que mesmo esses territórios são objetos de disputa e que existem diversas outras questões que podem ser colocadas para além da imanência de suas formas (por exemplo, como lembrou bem Natalia Leon, o que significa para a crítica musical o fato de uma “música conformista” como o funk incomodar mais as forças da ordem do que a “boa música”? Afinal, de que lado deve ficar um crítico que defende valores de contestação à ordem?). De todo modo, essa possibilidade não é colocada pelo exercício de crítica imanente à distância de Safatle, então não vou me prolongar nesse debate.

Uma das impressões mais vivas que o texto me causou foi a de que, se ele tivesse sido escrito décadas atrás, poderia ser utilizado por Mário de Andrade contra o samba urbano, para ele uma forma de rebaixamento cultural contra a qual nós, brasileiros, deveríamos adotar uma postura basicamente reativa, tal como o funk pro Safatle.

Só para constar, um parêntesis: eu não estou aqui reproduzindo o argumento culturalista padrão de que o funk ocupa hoje o mesmo lugar de perseguição ocupado pelo samba pré-anos 1930, porque, assim como esse, ele também é um som de preto pobre que é perseguido por isso etc. Veja, eu reconheço que, de fato, trata-se disso também, e a complexidade à qual me referia acima toca nesse ponto: ainda que o funk e o sertanejo universitário possam ser interpretados como formas de “rebaixamento” cultural, o fato de só funkeiro ser morto pela polícia é uma diferença que não pode ser nivelada por uma generalização como “rebaixamento cultural” e nem é um fato totalmente desvinculado de sua matéria musical, o que por si só já coloca diversas questões críticas importantes (e é por aí que a “imanência” de Safatle peca).

Mas eu não concordo integralmente com o paralelismo funk perseguido/samba perseguido por diversas razões, dentre elas o fato de que as comunidades possíveis de se imaginar a partir do funk são muito diferentes daquelas imagináveis pelo samba, e as relações descontínuas entre o samba incorporado pela tradição que o Safatle gosta e o pancadão não podem ser tratadas apenas a partir de suas continuidades. Uma imanenciazinha às vezes cai bem…

De todo modo, a questão que me interessa aqui não são os gêneros em si, mas a posição do filósofo, que nesse texto reatualiza aspectos daquele tipo de olhar modernista, especialmente em seus pontos problemáticos. E digo isso sem ironia, inclusive para relativizar o argumento contra o elitismo de Safatle. Pois pode-se dizer o que for do Mário de Andrade, menos que ele era um elitista que desprezava o popular, ou um aristocrata mimado que queria mais ver o país se ferrar. Essa linha de argumentação, comum na internet, que rebate os argumentos a partir do rebaixamento de quem os formulou, não ajuda a juntar o Safatle deste texto com esse outro.

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Creio que esse aspecto “modernista” do argumento do Safatle, coerentemente mais Mário que Oswald de Andrade – ainda que não o Mário de Macunaímaque complica a coisa toda -, revela-se com mais força quando ele se mostra impressionado com o fato de que um gênero como a canção, com todas suas “limitações”, tenha sido capaz de produzir grande arte.

“Mesmo que a música brasileira tenha se reduzido, em larga medida, aos limites da canção (a forma por excelência de consolidação de laços sociais devido a sua estereotipia formal e de fácil recognição), é inegável que o Brasil, como alguns poucos outros países, soube extrair genialidades de tais limites” – limites que provavelmente, segundo o autor, não existem em outros modelos menos fáceis ou estereotipados.

Note-se que seu reconhecimento da grandeza da música popular não se faz sem surpresas e sem demarcar hierarquias. A canção segue um patamar abaixo de outras formas, provavelmente aquelas que seguem, em alguma medida, o paradigma autonomista.

Depois de tantas águas já roladas nesses moinhos, a surpresa de Vladimir não deixa de surpreender. Talvez seja o caso de se perguntar não como a canção conseguiu se tornar tão genial no país apesar de todas as suas limitações, e sim de como essa genialidade poderia se dar em outro lugar que não na canção. Pode-se inclusive imaginar que esses lampejos de gênio só tenham se desenvolvido ali por conta dessas limitações, hipótese sustentada, por exemplo, por Luiz Tatit.

É nesse ponto preciso que o projeto musical de Mário/Villa(/Safatle?) naufraga e a bossa nova faz maravilhas de papel, reconhecendo precisamente no “baixo” industrializado todo um campo de possibilidades “modernas” que só poderiam realizar-se a partir dali.

Dito isso, é preciso reconhecer que o final do texto, onde se antecipam críticas ideologicamente marcadas, de fato esclarece um aspecto ideológico importante, que o próprio Safatle denuncia em outros textos como pertencentes a uma lógica de pensamento binário. Acusar o cara de elitista, além de ajudar pouco na compreensão dos argumentos, é bastante reducionista, principalmente quando é um julgamento que vem antes, e não depois do que é dito.

Ele não deixa de ter razão (ainda que essa não seja toda a verdade) quando sustenta que qualquer um que diga que atualmente existe muita porcaria sendo feita no campo da música é imediatamente acusado de elitista. Eu mesmo fui acusado da mesma coisa quando critiquei o neo-indie: elitista, pseudo-intelectual etc. Nem liguei, porque o que me doeu mesmo foi ser chamado de recalcado…

Enfim, faz um tempo que esse campo de indistinção aparente participa da ideologia hegemônica tanto quanto o pseudo-elitismo caricatural, que também existe, com a diferença de ser mais facilmente reconhecível como caricatura, sobretudo nos vídeos e textos que vez ou outra circulam por aí para serem exorcizados. O que não os torna menos perigosos, muito pelo contrário. Mas o anti-intelectualistmo muitas vezes passa com ares progressistas de defesa democrática, quando na verdade seu modelo por excelência continua sendo o Capitão Nascimento, que manda sentar o dedo em universitário maconheiro leitor de Michel Foucault. Acusar Chico Buarque de playboy cult se tornou uma prática tão ideológica quanto achar que o cara é Deus. Talvez até mais.

Em um debate interessantíssimo com José CalixtoPablo Ortellado sustenta de forma bastante acertada que a questão não é eximir-se de julgar, de olhar de maneira crítica para os objetos (se fosse assim, para que defender a educação?). O problema é sustentar um modelo de crítica que, em certa medida, precede e faz desaparecer os objetos: “Para julgar uma obra de arte, eu tenho que colocá-la em relação com a história da linguagem e identificar e avaliar a capacidade expressiva dos (preferencialmente novos) procedimentos que a obra lança mão para dizer o que ela tem a dizer”. Isso é justamente o que o texto do Safatle não faz, quando os objetos que ele critica desaparecem sob a “verdade” de suas avaliações.

Porém (ah, porém…), não é possível desconsiderar o uso ideológico que se faz de argumentos como os que sustentam que os sentidos últimos de uma obra são dados pelo uso que faz dela uma comunidade, ou que se tem quem goste de determinada produção artística é porque ela é boa e ponto, e nesse caso o que está errado é o padrão de avaliação estética, e não o gosto pessoal.

O próprio José Calixto no debate em questão mostrou que algumas batidas mais recentes de funk revelam uma consistência maior no trato com sua matéria do que aquelas usadas nos primórdios do movimento, justamente por se aproximar de uma sincopação mais brasileira. Esse tipo de crítica demostra respeito ao objeto, ouvindo o que ele tem a dizer e levando a sério o que ele diz, e também um desejo de compreensão que parte de seus próprios critérios – no caso, a evolução da batida do funk. E não se trata de essencializar esses critérios como parâmetro único de apreciação crítica: para o rap de São Paulo foi fundamental justamente o movimento contrário de quase ocultamento da sincopação, sustentando uma batida mais “dura” que, no entanto, era temperada pelo flow do rapper. E mesmo isso tem mudado, o que significa entre outras coisas que o que uma crítica diz hoje pode não servir amanhã.

Entretanto, a ideologia da tolerância multicultural, que por vezes pode ser bem intolerante, vai sustentar que o que José Calixto quer é, no fundo, impor seus conceitos a partir de fora, que ele não entende a pegada do funk roots etc. Variações do bom e velho “gosto não se discute” que, no limite, realiza precisamente o gesto de intolerância que afirma pertencer ao outro.

De todo modo, e voltando ao nosso tema, não me parece ser esse tipo de crítica que faz Safatle em seu artigo. Eu não discordo do companheiro Vlad quando ele sustenta que precisamos sim, de critérios e delimitações. A falta de critérios normativos, pro bem ou pro mal, é um sintoma que faz parte do estado atual das coisas, que certamente não andam bem, pra dizer o mínimo. E no mais das vezes essa suposta abertura é uma forma bem disfarçada de sustentar um critério único e onipresente. Precisamos de critérios, mesmo que na tentativa de evitar, ainda que inutilmente, que os definam para nós.

A questão é: será que os critérios que nos interessam são ainda esses que Safatle parece defender? Afinal, repetir o velho jargão de que o melhor que a cultura brasileira conseguiu produzir parou ali no auge da MPB não é exatamente um discurso contra-hegemônico. Nesse ponto, parece que realmente faltou a Vladimir o mesmo processo de escuta que ele afirma fazer falta. E não estou falando aqui dos artistas que ficaram à margem: aparentemente Safatle não passou nem perto do disco do Sabotage, que não é nem ruim, nem ficou à margem. Ao contrário, Rap É Compromisso (2000) formalizou aspectos decisivos da zeitgeist de seu tempo, reconfigurou a gramática dos afetos e redistribuiu a partilha do sensível junto com outros manos. Isso só pra ficar nesse papo filosófico. E o mesmo pode ser dito de Da Lama ao Caos, de Chico Science & Nação Zumbi, que reconfigurou o mapa musical nordestino, abrindo um conjunto novo de possibilidades cujos efeitos se fazem sentir ainda hoje.

Creio que o principal problema com esse texto é que Safatle não segue completamente suas próprias recomendações, pois como ele mesmo diz, é preciso ouvir primeiro para depois nos perguntarmos como é que chegamos a este ponto. E o que ele faz é definir o ponto em que chegamos sem se dispor a ouvir. Se é verdade que o Brasil não escuta Anton Webern, não é menos verdadeiro que Safatle não ouviu Racionais.

(Texto publicado originalmente por Acauam Oliveira no site Chic Pop.)

9 COMENTÁRIOS

  1. Interessante, para polemizar geral, que dizemos precisar de critérios ao falarmos dos formatos populares/massivos, e não dos “atonais” e “independentes”. Não se discute Juçara Marçal e Kiko de Nucci como prováveis diluições da Vanguarda Paulista dos 1980 – não é exatamente a minha posição, mas são artistas – e “cenas” – dados como absolutamente criativos e intocáveis, enquanto ficamos, repetidamente, justificando ou tentando justificar o talento de, por exemplo, Claudinho e Buchecha, Restart, Cine etc. A minha mais ampla opinião é que o Espírito Sopra Onde Quer, e é lá que vamos estar, ouvindo, curtindo, prestando atenção, vendo sentido e fazendo sentido.
    Na dúvida, para citar, o Emicida mais recentemente já tinha provado isso fazendo aquele duo com o Guime. O resto é silêncio, e eu prefiro música.

    • Caio, entendo que os critérios de “atonalismo” e “independente” e da dita “vanguarda paulista” que vc menciona se dão justamente, e por conta dos, de formatos populares/massivos. Penso que é muito mais do que uma questão de se questionar ou não o talento de alguém, e sim de ter uma visão crítica do processo e ser capaz linguagens que escapam àquelas já infinitamente repetidas neste formato canção, devido ao seu caráter de mercadoria, que a faz ter de repetir fórmulas, coisa que vem acontecendo há décadas, é a lógica da indústria, e é uma lógica lucrativa, portanto por si só, ela assim continuará.
      O mérito, no meu entender, é justamente de conseguir se colocar artisticamente de um outro ponto de vista e sustentar outros princípios e valores para a música popular, que tem mais a ver com a arte como expressão mais autêntica, e não reprodução e de percebê-la como potencial ferramenta de conscientização em diversas esferas – sem ser panfletário – ou seja, de chegar nas pessoas, comunicar algo, tocar, propor e não ficar apenas restrito à camada do entretenimento, sem que com isso ela também não possa agregar beleza, prazer, e convívios sociais ligados também ao entretenimento. Mas ela não é SÓ isso.

  2. Isso é perda de tempo.
    Via de regra as pessoas não ouvem música de qualidade, não leem livros de qualidade, não assistem a filme de qualidade, não vão ao teatro, nunca foram a um balé… isso na classe alta, hein, no pessoal que tem oportunidade…
    Imagina… Glauber, Buñuel, Kurosawa, Ibsen, Tchekov, Schubert, Stravinsky, Tolstoi, Flaubert… tudo isso é dispensável… até porque Arte nas escolas é desenho… mas também não se interessam pela Bienal…
    Agora, fala de futebol pra você ver!

    • Guilherme, não se pode culpar as pessoas por não se interessarem pela dita “alta cultura” como se esse dado fosse uma causa em si. Nosso sistema educacional é muito ruim e quando muito, prepara as pessoas apenas para o mercado de trabalho e olhe lá. Ninguém é ensinado a valorizar a cultura e as artes. De resto, seu comentário peca por restringir o conceito de cultura apenas no que a burguesia considera alta cultura, e o de arte apenas àquilo que se conceitua como “belas artes”. O conceito de alta cultura vigente geralmente negligencia a produção nacional, e o desenho também é uma manifestação artística. Mas nas escolas, é tratado como a única.

  3. A critica do Safatle foi feita em relação a industria cultural da musica popular no Brasil e isso voce não analisou no seu texto. Sem isso, a critica não tem o menor sentido. Ler o texto do Safatle sem colocar em contexto a industria cultural é não ler o que ele disse. O problema é que quase ninguém entende o que significa industria cultural no Brasil e fica aplaudindo qualquer coisa que seja vendida com o rotulo de cultura da “comunidade”.

  4. Texto ruim, o autor simplesmente substitui o problemático texto de Safatle por uma miscelânea de debates. Além disso, o argumento final, a de que Safatle incorre no erro de não escutar a música popular brasileira, cita discos de 1994 (Nação Zumbi), 2000 (Sabotage) e 1997 (Auge dos Racionais). Nenhum destes podem servir para falar de uma realidade de até 25 anos depois (um quarto de século!).

    A ausência de uma problematização do sertanejo ao longo do texto nos faz perguntar, inclusive, se o autor também não incorreu no erro de que ele acusa Safatle: será que o autor também ouviu sertanejo?

  5. Acauam: a única coisa que acrescentaria à sua leitura, que é sensata, ainda que em alguns momentos fique vaga e obscura, pouco direta – sobretudo no início – mas que ainda assim é pertinente, é que me incomoda também a forma como o Safatle descaracteriza essas “tentativas” que segundo o ver dele se restringiram às margens do sistema, dessa forma desqualificando-as, sem problematizar que chegar ao mainstream, ao coração de tudo isso seria justamente perder a força contestatória, a autonomia de propor formas com mais conteúdo. Ou seja, ele não leva em consideração que esse quadro tão deplorável que ele observa só poderia ser modificado a partir da ação de pessoas às margens mesmo, ou seja A Margem deixa de ser final de fracasso, antes ela é hoje um posicionamento, é também uma forma de se jogar o jogo, uma forma de estar presente, uma estratégia que quer comunicar, quer participar mas sem que seja reduzida a mera mercadoria. E que só é mais possivel do que por exemplo nos anos 1980, com o Itamar Assumpção e cia devido às possibilidades de comunicação e articulação que a internet e as tecnologias digitais nos oferecem. Assim, considero extremamente válido e mais do que isso, necessário, visualizo como o caminho para irmos propondo novas abordagens, novas linguagens e novos princípios/valores para a música, novas formas de enxergá-la em nosso dia-a-dia, tomando uma postura educativa, para se mudar aos poucos um quadro cultural que é assim não por nenhuma incapacidade e sim por determinações economicas que a forma mercadoria cultural sempre impôs e condicionou nas pessoas. Estar à margem não é ser fracassado por ser uma minoria e parecer ínfima.

    A reflexão/texto dele tem mais mil e um aspectos problemáticos, que enxergo como ações de ocultação de fatos para que se sustente a visão construída sobre a realidade que tem, mas nem vale o trabalho de ficar escrevendo. Ele deveria antes, nos poupar e no mínimo, se propor realmente a escutar outros pontos de vista e outras músicas sendo feitas hoje do que já se fechar em seu discurso que parece soar lá de cima, de uma torre de marfim bem distante…

  6. Tirando todas as considerações, muito bem elaboradas, as teses e tudo mais, o que impede o acesso da grande massa à boa e nova música brasileira é esse embate nojento entre gravadoras e meios de comunicação.

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