O secretário Especial de Cultura do governo Bolsonaro, Mario Frias, anunciou na tarde deste sábado, 12 de março, sua candidatura a deputado federal pelo PL de São Paulo. Frias postou nas redes sociais foto ao lado de Jair Bolsonaro. “Hoje, minha ficha de filiação ao PL foi assinada pelas mãos do presidente Jair Bolsonaro. É com muita honra e responsabilidade que encaro mais esse desafio: sou pré-candidato a deputado federal por São Paulo”.

É o segundo servidor da área de cultura a sair candidato. André Porciuncula, ex-PM que exerce atualmente o cargo de Secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do governo, anunciou sua candidatura a deputado federal também pelo PL, só que da Bahia. Quem também afirmou que sairá candidato é o presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo, que se tornou réu na Justiça no último dia 7. O juiz Renato Borelli, da 15ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, recebeu e aceitou uma queixa-crime movida pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP) contra o presidente da Fundação Cultural Palmares por difamação e injúria.

Frias anunciou a filiação ao PL exatamente no momento em que PF realizou uma operação policial contra deputados do seu novo partido. A ação de busca e apreensão contra deputados do PL aconteceu na sexta (11), mirando os deputados federais Josimar de Maranhãozinho (PL-MA, que já foi flagrado carregando uma caixa de dinheiro), Pastor Gil (PL-MA) e Bosco Costa (PL-SE) no Maranhão (MA) e Sergipe (SE).

A probabilidade de que sejam nomeados sucessores mais republicanos no lugar de Frias e seus subordinados é ínfima. Para o lugar de Mario Frias, cogita-se a atual presidente do Iphan, Larissa Peixoto, que é responsável por um processo assombroso de desmonte no patrimônio histórico. Vai ser difícil achar um sucessor mais messiânico, virulento e arrivista do que André Porciúncula. Já Sérgio Camargo é tão agressivo que está isolado até mesmo entre os colegas de secretaria.

Esse contingente de candidatos extremistas da cultura federal (todos eles são negacionistas, antivacina, têm esvaios de misoginia, homofobia, racismo e comportamento autoritário) revela a busca de uma saída também extrema: nenhum deles tem menos de 50 processos em curso no momento, alguns por assédio, má gestão, perseguição política, ofensas, calúnias e difamações. É pouco provável que algum deles consiga se eleger, mas se mantém na ofensiva até outubro, pelo menos, esgrimindo uma lista de realizações que, até agora, consiste apenas em expurgos de supostos inimigos políticos e um calendário anual feito pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).

 

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