segunda-feira, maio 16, 2022
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Repente é agora patrimônio cultural do Brasil

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O repentista pernambucano Ivanildo Vilanova, uma das expressões máximas do gênero

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) publicou na manhã desta segunda-feira, 10, o aviso de tombamento do repente como Patrimônio Cultural do Brasil. A decisão foi tomada  pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, na sua 98ª reunião, realizada nos dias 10 e 11 de novembro de 2021, por unanimidade. O processo de tombamento é de 2013 e o do forró, que foi decidido no dia 9 de dezembro, é de 2011 (não há processos de tombamento de patrimônio imaterial encaminhados no governo Bolsonaro).

Ivanildo Vilanova, Mauro e Quitéria, Caju e Castanha, Zé Limeira, Mocinha de Passira, Pinto do Monteiro, Cego Aderaldo: o universo de criadores e criações em torno do repente é amplo e secular e se conecta diretamente com as diferentes gerações da música, artistas como Luiz Gonzaga, Zé Ramalho, Alceu Valença, Arrigo Barnabé, Raul Seixas (Ouro de Tolo é uma feliz moldagem do gênero), Belchior, Chico Science, chegando depois a Titãs e Emicida e Djonga. Segundo o historiador José Ramos Tinhorão descreve no livro “Pequena História da Música Popular – Da Modinha ao Tropicalismo” (Art Editora, 1986), o baião (ou rojão), gênero criado por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, nasceu da tradição popular de se executar um pequeno trecho musical nas violas dos repentistas durante os intervalos entre um e outro desafio (na busca da inspiração).

O repente é hoje uma marca cultural de todo o País, mas especialmente do Nordeste brasileiro, região na qual haverá algumas cidades em plenas condições de reinvindicar o posto de capital da expressão, caso de São José do Egito, em Pernambuco, terra de Louro do Pajeú e Otacílio, entre inúmeros outros.

“O repente constitui um diálogo poético em que dois repentistas se alternam cantando estrofes improvisadas, ao acompanhamento de violas. Na qualidade de composição poética, mantém vínculos históricos com as narrativas orais e encontra-se em estreita relação com outras poéticas vocais, como a embolada, o aboio, a glosa, a declamação e a literatura de cordel. Desde o século XIX, o repente figura entre as manifestações culturais do Nordeste e de outras regiões do país, atestado por testemunhos de casos repetidamente contados, declamação de estrofes famosas em cantorias e por depoimentos de cantadores e ouvintes que declaram ter sido a cantoria a principal prática cultural coletiva em suas localidades de origem”, assinalou o processo de instrução técnica do tombamento.

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