No início, predominou o formato de 10 polegadas, um pouco menor, em que cabiam geralmente oito músicas.

O Nordeste falou alto nesses primeiros anos de transição dos compactos com apenas duas canções para os bolachões de 12 ou 14. Em 1954, o baiano Dorival Caymmi lançou Canções Praieiras, um dos primeiros álbuns conceituais da história do Brasil.

Começando pelas inéditas “Quem Vem pra Beira do Mar” e “O Bem do Mar”, o LP de 10 polegadas reúne oito canções históricas sobre o mar, de resto um dos temas prediletos de Caymmi.

Além disso, Caymmi regrava outros seis sambas praieiros em versões modernizadas, como “O Mar” (1940), “É Doce Morrer no Mar” (1941), “Canoeiro” (1944) e “A Lenda do Abaeté” (1948).

Enquanto Caymmi sediava no litoral a invenção dos álbuns conceituais, o pernambucano Luiz Gonzaga não arredava pé do sertão que o notabilizou e se via em apuros para se adaptar ao formato LP, depois de 13 anos reinando soberano nos compactos de duas faixas.

Menos atirado que Caymmi, Gonzaga estreou no formato do LP de 10 polegadas com A História do Nordeste na Voz de Luiz Gonzaga, uma coletânea de gravações previamente lançadas em compacto entre 1947 (“Asa Branca”) e 1953 (“O Xote das Meninas”).

A gênese do forró aparece muito bem exemplificada n’A História do Nordeste, em golpes de gênio como “Paraíba” (1952), “Acauã” (1952), “Respeita Januário” (1950) e “ABC do Sertão” (1953).

A bossa nova abraçou Caymmi e marginalizou Gonzaga, que na própria contracapa da coletânea é retratado por um escriba não identificado como um burilador de “ritmos toscos” (“Asa Branca”, tosca?…).

Sem saber, Caymmi e Gonzaga ajudaram a fundar dois pilares da futura indústria de LPs: o primeiro, os discos conceituais; o segundo, as compilações de “grandes sucessos” passados. O novo objeto redondo guardado num envelope quadrado começava a ficar de pé.

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