Mario Frias, secretário de Cultura do governo, e o deputado preso Daniel Silveira

Uma postagem do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) em rede social reportando reunião com o secretário Especial de Cultura do governo federal, Mario Frias, revela não apenas a formação de um comitê oficial de censura ideológica no governo Bolsonaro (do qual se sabe que pelo menos uma figura, Daniel Silveira, faz parte), mas também a estratégia de retaliação da secretaria aos seus supostos adversários políticos.

Silveira divulga foto com Frias (curtida por Frias, o que referenda oficialmente a informação) de uma reunião “onde (sic) estamos levantando todos os sistemas criados pela esquerda para que o dinheiro público escoe para financiar os projetos nefastos dessa matula”.

Além de anti-republicana, a confissão pública do governo de manter no aparato de Estado um grupo que se dedica a operar uma ação extra-oficial de censura é criminosa: o tal contingenciamento assumido por Silveira implica não somente na admissão de um veto a determinados artistas e projetos, mas também confirma consequentes privilégios a outros profutores que a gestão considera afinados com sua visão de mundo.

Silveira afirma que o contingenciamento de verbas “já surtiu efeito”, entregando que há programas públicos operando um macarthismo bolsonarista.  Essa política já é evidente em diversas áreas, sobretudo na do audiovisual, mas não havia ainda  essa correspondência direta com uma origem censória. Frias não foi inquirido sobre a gravidade dessa declaração pública – não apenas não foi convocado pelos órgãos competentes, como conseguiu trombetear hoje uma suposta indignação contra políticas de combate a notícias falsas no YouTube, que ele classificou de “censura”.

Daniel Silveira é o mesmo deputado expulso de uma aeronave essa semana por se recusar a usar máscara de proteção contra a Covid-19 no voo. Ficou célebre, se é que é esse o termo adequado, ao quebrar a placa com o nome da vereadora Marielle Franco no Rio, após o assassinato desta.

 

 

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