Morto na segunda-feira 27 de maio, aos 28 anos, num acidente aéreo, o cantor Gabriel Diniz era sul-matogrossense de Campo Grande, mas foi criado em João Pessoa, na Paraíba. Era geneticamente sertanejo e forrozeiro por comportamento (e por associação com a produtora do cearense Wesley Safadão), e essa dupla identidade o distinguiu no curto tempo que teve para mostrar sua música de puro entretenimento.

Baseado na fórmula feliz “o nome dela é…”, o forronejo “Jenifer” apostou na coloquialidade e no cotidiano, narrando um encontro de Tinder. O videoclipe complementou o sentido, mostrando uma historinha de garota-padrão trocada pelo narrador, no aplicativo de pegação, por uma jovem com sobrepeso. Era uma fórmula para o sucesso, afastando alguns preconceitos e empurrando outros para frente: “O nome dela é Jenifer/ encontrei ela no Tinder/ não é minha namorada/ mas poderia ser”.

O sucesso seguinte, “Safadezinha”, foi em linha parecida, investindo em assuntos coloquiais com os quais qualquer um se identifica (fazer “conchinha”), sexo e humor entre correto e duvidoso (no clipe uma senhora idosa dança forró lado a lado com o casal central).

O que o simpático Gabriel trazia era o humor nordestino para a por vezes sisuda música sertaneja dos interiores brasileiros. Os clipes promoviam um tipo de atualização daquela fase em que Roberto Carlos seduzia mulheres maduras, de óculos, gordinhas.

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Não deu tempo para Gabriel Diniz se transformar no rei do iê-iê-iê.

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