O grupo Metrô em pausa de ensaio para o show na Virada Cultural, que não vai mais acontecer (foto: Divulgação)


BANDA METRÔ CANCELA SHOW NA VIRADA CULTURAL

Morte do marido da cantora Virgine deixa apresentação impraticável, segundo baterista
A banda oitentista Metrô, uma das pioneiras do pop nacional e que estava havia 30 anos sem se apresentar ao vivo, deve anunciar nas próximas horas o cancelamento do seu show na Virada Cultural, que seria na madrugada de domingo, às 3h. “Vamos cancelar, não há condições. Talvez em julho, quem sabe”, disse agora há pouco o baterista Dany Roland (que ficou famoso ao estrelar o comercial “Bonita Camisa, Fernandinho” – ele era o Fernandinho).
Há um bom motivo para o cancelamento: a morte, no último dia 7, do diplomata francês Jean Michel Manent, que era marido da cantora da banda, Virginie. Ela vive na França com as filhas e declarou no Facebook que não tem condições emocionais de se apresentar. “E se meu canto ecoasse em outras vozes como as suas, eu estaria aí de alma e coração. Um beijo”, escreveu a cantora, no Facebook.
Os outros integrantes do grupo estavam ensaiando as músicas para apresentá-las de maneira instrumental, sem vocais, mas desistiram essa noite.
O último show profissional da banda com a formação original fora no Gigantinho, em Porto Alegre, em 1985. “Um show muito triste. Lembro que estávamos de saco cheio de tudo. Não houve publicidade, era um dia de semana, não havia muita gente. Foi deprimente”, disse Dany. Tiveram um breve encontro no final do ano passado, mas não foi o núcleo original.
Virginie Adèle Lydie Boutaud-Manent foi uma musa dos anos 1980. Ex-top model, conheceu os colegas de música no Lycée Pasteur, onde estudavam francês. Em uma época estridente, em que todos buscavam ocupar lugares de líderes geracionais, ela cantava com a delicadeza de uma Nara Leão e tinha um ar nonchalance aristocrático.  
A banda se desentendeu quando estava no auge. A cantora então casou com o diplomata Jean Michel Manent nos anos 1990 e abandonou a carreira. Moraram no Uruguai,  em Moçambique, na Namíbia e em Madagascar, até que fixaram residência em Saint-Orens-de-Gameville, cidadezinha perto de Toulouse, na França. No último dia 7, ele morreu. Ela está devastada.  “E se meu canto ecoasse em outras vozes como as suas, eu estaria aí de alma e coração. Um beijo”, escreveu a cantora, no Facebook.
Depois do Metrô, os integrantes migraram para muitos campos artísticos, mas a música sempre foi um denominador comum. Dany Roland seguiu carreira no teatro e se mudou para o Rio, onde começou a trabalhar com a diretora Bia Lessa a partir de 1993. Fizeram juntos o filme Crede Mi (1996). Ele toca atualmente no grupo Os Ritmistas, como Domenico, Stephane Sanjuan e Zero Telles. Também produziu  outros artistas como Chelpa Ferro, Leo Tomassini e Ivor Lancellotti.
Virginie parou por uns tempos com a música, mas voltou a colaborar com o compositor francês Philippe Kadosch (seu parceiro em Il était une fois, do disco Crime Perfeito).  
Alec Haiat (guitarra) é sócio da Habro, importadora de áudio e instrumentos musicais profissionais. Segue compondo (tem parcerias com a cantora Céu) e foi autor da trilha do filme O Invasor, de Beto Brant. Zaviê Leblanc (baixo) é o chef do afamado bistrô La Tartine, instituição de São Paulo.
Yann Laouenan (teclados) tocou durante seis anos com o PR5 (de Paulo Ricardo) e vive atualmente em Jericoacoara.
Eles têm planos de gravar em breve material inédito (com produção de Kassin), fazer uma turnê e um registro da turnê em DVD. Também organizam, com a Sony, o lançamento de uma ediçao comemorativa do disco Olhar, que completa 30 anos(1985) esse ano. Será um album duplo: o original e outro extra com raridades, demos, remixes, além de uma edição em vinil.
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Jotabê Medeiros, paraibano de Sumé, é repórter de jornalismo cultural desde 1986 e escritor, autor de Belchior - Apenas um Rapaz Latino-Americano (Todavia, 2017), Raul Seixas - Não diga que a canção está perdida (Todavia, 2019) e Roberto Carlos - Por isso essa voz tamanha (Todavia, 2021)

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