Trem, metrô, ônibus, bonde. Os transportes públicos são a vedete da temporada brasileira de inverno de 2013, e FAROFAFÁ colabora com uma seleção musical que vai de Heitor Villa-Lobos Adoniran Barbosa a Plínio MarcosRita Lee e os rappers de São Paulo.

O buraco do tatu from farofafabr on 8tracks Radio.

1. Egberto Gismonti, “O Trenzinho do Caipira” (1985) – a obra-prima das “Bachianas Brasileiras” de Heitor Villa-Lobos, na versão anos 1980 de Egberto.

2. Edu Lobo, “O Trenzinho do Caipira  (1978) – a versão anos 1970 de Edu, com os versos do hoje tucaníssimo Ferreira Gullar.

3. João Gilberto, “Trem de Ferro (Trenzinho)” (1961) – um trem bobinho, bem bossa nova, para espairecer.

4. Kleiton & Kledir, “Maria Fumaça” (1980) – amor e humor à gaúcha, sobre uma locomotiva “devagar, quase parada”: “Ô, seu foguista, bota lenha na chaleira!”.

5. Rita Lee, “Locomotivas” (1977) – uma paulistana da clara alfineta algumas das moças de 1977: “Mulheres locomotivas/ tchu-tchu pra subir de vida”.

6. Cilibrinas do Éden, “Gente Fina É Outra Coisa” (1973) – uma versão primitiva de “Locomotivas”, pela dupla que foi sem nunca ter sido Rita Lee + Lucia Turnbull. Os trens não aparecem, mas fiquemos com a pergunta mensagem de “por que você diz que vai fazer e não faz?/ assim não dá mais/ e eu não posso deixar/ se alguma coisa está errada/ eu preciso falar a verdade”.

7. Raulzito e Os Panteras, “Trem 103” (1968) – trenzinho jovem guarda de Raulzito antes de virar Raul Seixas.

8. Sérgio Sampaio, “Viajei de Trem” (1973) – parceiro “maldito” de Raul, os olhos capixabas enxergavam a cidade gigante: “O sol clareava num céu de cimento/ as ruas marchando invadiam meu tempo”.

9. Raul Seixas, “A Hora do Trem Passar” (1973) – Raul gostava de trens…

10. Cássia Eller, “Metrô Linha 743” (1994) – …e de metrôs. Versão anos 1990 para a paranoia 1984 de Raul Seixas: “Dois homens fumando juntos pode ser muito arriscado”.

11. Zé Ramalho, “O Trem das 7” (2001) – mais um trem raulseixista, 0riginal de 1974, re-nordestinizado por Zé Ramalho da Paraíba.

12. Cátia de França, “Eu Vou Pegar o Metrô” (1979) – “Eu vou pegar o metrô, eu vou virar tatu/ correndo depressa pra perto de tu/ vou em Madureira, dou um giro em Noviorque, tiro um sarro em Guadalupe, vou dormir lá no Caju”, cantou a compositora paraibana. “Ai, morena, não tenha medo do progresso/ ai, morena, é pra você esse meu verso”, ouviu, você aí?

13. Alcione, “Tatu, Engenheiro do Metrô” (1976) – um zoológico humano subterrâneo no canto de trabalho de Alcione.

14. Luiz Gonzaga, “Buraco de Tatu” (1956) – Gonzagão manda um papo reto para tatus, tucanos e outros bichos: “Não boto a mão em buraco de tatu que é muito perigoso, é preciso ter cuidado/ lá dentro pode ter um cascavel/ ou um urutu esperando com o bote armado”. Medo.

15. Alípio Martins,  Tatu da Velha Noca” (1974) – duplos e triplos e quádruplos sentidos no passo do carimbó paraense: “Tatu é bicho do mato/ vive dormindo dentro do buraco/ cadê o tatu, cadê o tatu?/ no buraco se meteu”.

16. VIrguloides, “Bagulho no Bumba” (1997) – “nessa bumba não ando mais/ acharam um bagulho no banco de trás” – ônibus pode?

17. Bezerra da Silva, “Língua de Metrô” (1989) – “olha aí, laranjão”: “Seu muquirana, otário, safardana, língua de metrô/ você é pilantra, patife, canalha, crocodilo, covarde e também delator”. Mas a triste conclusão: “Vou livrar tua cara porque somos todos irmãos”…

18. Adoniran Barbosa, “Triste Margarida (Samba do Metrô)” (1975) – da faceirice de Bezerra à melancolia de Adoniran: “Eu disse a ela que trabalhava de engenheiro/ que o metrô de São Paulo estava em minhas mãos/ e que se desse tudo certo/ seria a primeira passageira na inauguração/ tudo ia indo muito bem/ até que um dia ela passou de ônibus/ pela via 23 de maio/ e da janela do coletivo me viu/ plantando grama no barranco da avenida”.

19. Projota, “Rap do Ônibus” (2011): a introdução já é forte (“as pernas doem e o suor escorre/ e vem no rosto pálido de um homem que não é ninguém/ vai trabalhar, guerreiro”), mas o mais forte vem depois:  “Mais um dia comum na nossa vida comum, com fé/ Senhor, nos leve pra onde quiser/ proteja nossos corpos e nos mantenha de pé/ que eu possa entrar e sair vivo de um metrô na Sé/ seria engraçado se não fosse desesperador/ aos olhos de quem me governa é esse meu valor”.

20. Milton Nascimento, “Ponta de Areia” (1975) – o clube da esquina, pródigo em trens e locomotivas, em estilo grave, dramático: “Estrada natural/ que ligava Minas ao porto, ao mar/ caminho de ferro/ mandaram arrancar”.

21. Adoniran Barbosa, “Trem das Onze” (1974) – o clássico paulistano de 1964, numa tristonha versão autoral anos 1970. E se a gente perder esse trem?

21. Ogi, “Cidade com Nome de Santo” (2011) – Rap firmeza sobre a cidade de São Paulo, com sample introdutório de Plínio Marcos, um dos maiores gênios fora-do-eixo que já tivemos.

 

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