Titãs tocam o antológico “Cabeça Dinossauro” para uma das maiores e mais entusiasmadas plateias da Virada Cultural

Em 1986, cantávamos aos gritos “Porrada, porrada”, “Onçinha pintada/
Zebrinha listrada/Coelhinho peludo/Vão se fuder!”, “Pança de mamute/Espírito de porco” e tudo parecia fazer sentido. Vivíamos uma adolescência que cresceu com um Brasil hiperinflacionário, teve de aprender a conviver com planos econômicos mirabolantes e achava não ter futuro algum pela frente. Os jovens titânicos de uma década e meia depois sabem, e nós também, que o Brasil teve um futuro, assim como eles próprios – a julgar pela longevidade da banda e o entusiasmo da plateia de seu show, neste domingo, na Virada Cultural.

É incrível como soam datadas e, ao mesmo tempo, atuais as composições de “Cabeça Dinossauro”, disco lançado em junho de 1986 pelos Titãs. Naquele momento, o grupo já tinha três anos de carreira, de relativo sucesso, mas ainda faltava algo. Talvez a prisão por porte de drogas de Arnaldo Antunes, ex-titã, e de Tony Belloto, um ano antes, tenha sido aquele impulso para os músicos criarem sua obra antológica. “Polícia”, “Estado Violência”, “Bichos Escrotos”, “Igreja”, todas composições contra a ordem estabelecida, o sistema que é facil todos odiarmos.

Hoje, os jovens que nem tinham nascido quando os Titãs comporam “Cabeça Dinossauro” cantam com o mesmo entusiasmo de outrora, talvez pensando em Carlinhos Cachoeira, no “Veta, Dilma“, e nos políticos de sempre. Como pode, afinal, um garoto de 8 anos ao meu lado cantar “Tô cansado de moralismo” de forma tão empolgada e sem errar a letra?

Empoleirados em árvores, ponto de ônibus, banca de jornal, colo do namorado, cangote do pai e da mãe, no conforto das sacadas dos prédios vizinhos, os fãs da banda fazem um belo encontro de gerações. Uns, mais exaltados, arriscavam um mosh diante de pais perplexos.

Os titânicos executaram “Cabeça Dinossauro” na íntegra, o que faria o show durar bem menos que a uma hora e meia de espetáculo. Não faltaram “AA UU”, “Tô cansado”, “Família”, “Homem Primata” e “Dívidas”. Assim, emendaram outros sucessos, “Diversão”, “Televisão”, “O Pulso” e “Flores”, igualmente conhecidos do público. Fizeram a multidão ir ao delírio com um cover de “Aluga-se”, de Raul Seixas. Arriscaram até tocar uma inédita, “Fala, Renata”, que eles não sabem se vão gravar ou não. Palhinha para quem foi à Virada Cultural.

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