Em 1983, escrevíamos para pagar a cerveja.
Em 1986, escrevíamos orgulhosamente com a ambição de tomar o lugar do Pepe Escobar.
Em 2006, escrevíamos para pagar a faculdade dos filhos.
Em 2011, escrevemos para não sermos confundidos com os novos fascistas.

O fato é que escrevemos por algum tipo de recompensa a vida toda.

E foi assim que chegamos a essa nova era.
Outro dia discutíamos na sala sobre o poder das redes sociais.
Discutíamos por causa do vinho, porque não estávamos realmente interessados.

“Tenho um milhão e meio de seguidores”, gaba-se o bobo do CQC.
Sugere que enxerga assim uma chancela de “influente” em sua vida (reclama um naco de relevância que possa ser auditado pela Burston).

Meio nauseante esse profusão de carcaças de auto-importância realimentando o fogo fátuo das revistas e jornais.

Tem os que enchem a tampa de chope e certezas no corredor da Mourato Coelho. E tem o Pinduca, berrando poemas com três malucos talentosos numa terça gelada.

Para encerrar, duas coisas para as quais não fazem seguro, mas deveriam: Fusca 1980 e a tarefa de medicar um gato.

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