Dá um certo alívio sair do mar. A paisagem mutante da cidade é agora uma carícia, assim como o trânsito pesado no rush, os moleques bêbados cantando canções do U2 na noite de Livorno, a garota com walkman e touca de lenhador esperando no ponto de ônibus.

Ao sair do navio, senti uma certa pena da rotina azul do comandante Túlio e do contramestre baixinho e atarracado de macacão. Trabalhavam juntos havia 20 anos.
Adeus ao contramestre Anesse, homenzinho incansável que pinta o convés pela manhã, troca cordas dos salva-vidas à tarde e de noite dá plantão sozinho na ponte de comando. Sempre rindo.
Para integrar a tripulação de um barco destes, é difícil. Um cadete passa em média 5 anos na academia naval. Depois, passa mais dois anos estagiando em navios cargueiro pelo mundo afora.
Um marinheiro italiano ganhava, na época, cerca de US$ 2 mil. O contramestre ganhava US$ 3,5 mil.
Despedimo-nos da tripulação. Os passageiros nos convidam às suas casas, um dia, quando de passagem.

O mundo não é tão receptivo nesse momento na Europa. Nas ruas de La Spezia, encontramos cartazes xenófobos cuidadosamente espalhados por postes e muros. “A imigração do terceiro mundo desagrega a sociedade e leva ao fascismo”, dizem os cartazes. Nem de Tal fotografa os cartazes.

PUBLICIDADE

DEIXE UMA REPOSTA

Por favor, deixe seu comentário
Por favor, entre seu nome