dois dias em ouro preto, para o fórum das letras.
tem certas horas do dia que a gente percebe guignard com mais acuidade, e ele surge em todo lugar.
da janela do restaurante bené da flauta, dava para ver uma rua iluminada que serpenteava de noite num morro, se afunilando até sumir na escuridão.
o tempo era curto, mas algo sempre acontece: cachaça com mel no beco, frango com quiabo no almoço, uma nova visita embasbacante aos anjos mulatos de mestre athayde na igreja do aleijadinho.
a cidade parece um tanto empobrecida, cheia de cautela e medo de gatunos, mas bela como sempre.
numa calçada, um encontro inusitado com uma freira carmelita muito jovem chamada maria clara que tinha acabado de sair do claustro apenas para acompanhar o enterro da avó. “o sol está aqui fora, maria clara!”.
(conselho besta: o sol nem sempre nasce para todos por aqui).
e um reencontro com um escritor moçambicano, nelson saúte, que tinha conhecido muito brevemente em salvador, quatro anos antes, durante o encontro dos países de língua portuguesa. vi o mutarelli, o alberto villas, o chacal, o joão gilberto noll, o nicolas behr, o marçal aquino que veio na mesma van que eu pro aeroporto.
e uma garrafa de cachaça que provei, aprovei e esqueci de comprar.
perdi os shows do foals e do jesus, mas não dá para ter tudo, right?

Anteriora casa caiu?
Próximoa casa caiu, reconstrua-se a casa?…
Jotabê Medeiros, paraibano de Sumé, é repórter de jornalismo cultural desde 1986 e escritor, autor de Belchior - Apenas um Rapaz Latino-Americano (Todavia, 2017), Raul Seixas - Não diga que a canção está perdida (Todavia, 2019) e Roberto Carlos - Por isso essa voz tamanha (Todavia, 2021)

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