joão gilberto fez shows (vi ele no “cqc” segunda-feira, está velhinho, não?).
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dorival caymmi morreu.
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eu estava 99,9% de férias, nada vi, nada acompanhei.
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nem sei se daniel dantas anda preso ou anda solto (aliás, acho que sei, também vi ele no “cqc”).
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alguém me conta o que anda acontecendo por aqui?
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ah, mas e o gilberto gil? puxa, ele se foi do ministério da cultura.
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meus cumprimentos, meu respeito, meus agradecimentos pelos serviços ministeriais prestados pelo velho baiano – para quem prestou a mínima atenção, foi bacana à beça, não foi?, e estou convencido de que ainda gerará muitos frutos suculentos, espera aí um pouco que você vai ver e viver.
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lá onde eu estive, fui um dia – quero dizer, uma madrugada – numa boate onde tocava rock, e o dj tocava velharias variadas (e michael jackson, aquelas coisas), e quando ele tocou dire straits ninguém saiu da pista, todo mundo dançou, feliz, ultrapop, cantando junto.
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algo como se uma nossa pista tocasse zé ramalho (ou, vá lá, algo mais dançante, sei lá, cassiano, ou chico buarque em “meu caro amigo”, ou claudette soares safra 1971, ou “mini-mistério” do gil com a gal-legal, ou a maravilhosa “ponha um arco-íris na sua moringa” do paulo diniz) e ninguém tivesse uma síncope, e ninguém saísse bufando e batendo porta, e todo mundo dançasse, todo mundo satisfeito com nossa(s) própria(s) identidade(s).
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não, não estou dizendo que lá é melhor que aqui ou que aqui é pior do que lá, não. não é, não, o melhor lugar do mundo continua sendo aqui e agora.
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mas que a gente ainda precisa tacar vitamina em nossa auto-estima e sais minerais em nossa(s) identidade(s), ah, isso precisa, não precisa?
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só que, então, dorival caymmi, e joão gilberto, e caetano veloso, e roberto carlos?… e o que mais?
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pronto, (acho que) voltei. saudades de todos!, saudades de itapuã!, i don’t wanna to go back to bahia!

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Editor de FAROFAFÁ, jornalista e crítico musical desde 1995, autor de "Tropicalismo - Decadência Bonita do Samba" (Boitempo, 2000), "Como Dois e Dois São Cinco - Roberto Carlos (& Erasmo & Wanderléa)" (Boitempo, 2004) e "Álbum" (Edições Sesc, 2021-2026)

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