só para que a gente se lembre de como a história costuma se repetir, às vezes à exaustão, vai aí abaixo um capítulo, o de número 17, de “código da vida”, o livro de memórias do saulo ramos, ex-ministro de estado e advogado-geral-da-nação de uma porretada de gente poderosa aí, de fernandos para baixo.

pelo que pude ler até agora, o livro do saulo e sua visão de mundo me soam amplamente repugnantes.

o “código da vinci”, ops, “da vida” está saindo pela editora planeta, recomendadíssimo pelo fofo do jô soares. é a mesma editora do paulo coelho. a mesma que editou (e depois permitiu que fosse interditado) “roberto carlos em detalhes”, do paulo césar de araújo.

agora é também a editora do saulo ramos. que já advogou para o roberto carlos. que obteve na justiça a prerrogativa de exterminar o trabalho do paulo césar das livrarias. sob a anuência submissa da editora planeta. sob as barbas da “justiça”. sob nosso ruidoso silêncio coletivo. sob nossa silenciosa aceitação comunitária.

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a sua bênção, excelentíssimo(s)(aulo)(s).
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“17

Lembrei-me ainda de outro caso, referente a um livro escrito pelo ex-mordomo do cantor Roberto Carlos, no qual eram narradas intimidades da vida do artista, deslavadamente mentirosas. Feriram fundo o sentimento do cantor. O título do livro era O Rei e Eu. Dessa vez, para impedir a lesão, usamos o Direito Processual Civil, em ação de abstenção da prática de ato cumulada com o pedido de destruição do livro. A Constituição então vigente não assegurava as liberdades plenas inauguradas em 1988. Houve apreensão cautelar. O processo seguiu seus trâmites legais até o julgamento final pelo Tribunal de Justiça, e vencemos. O livro acabou sendo condenado à fogueira, muito antes do ano que é o título da obra de George Orwell. A incineração foi realizada nos fornos da Prefeitura de São Paulo.

Roberto Carlos é uma criatura de lindos sentimentos. Alma pura, contagiada de primavera e luz. Além da religiosidade extrema, é de uma bondade comovente com todas as pessoas. Bom filho, bom pai, bom tudo. Quando ganhamos a causa contra seu ex-mordomo, mostrou-se preocupado:

– Ele foi condenado? Vai preso? Eu não queria isso, bicho! Não queria mesmo!

– Calma, Roberto. A condenação foi civil, isto é, ele foi proibido de escrever sobre você, e o livro foi queimado. Pronto, acabou! Resta a condenação por danos e em honorários. Nem você vai cobrar os danos, nem eu cobro os honorários contra ele. Está bem assim?

Mesmo assim, ficou triste. Seu ex-funcionário havia falado o diabo da vida dele. Roberto se preocupava em saber se a condenação envolvia prisão do réu. Afinal, réu é para ser preso. As pessoas às vezes confundem a condenação civil com a penal, embora muito tipo de condenação civil bem que podia resultar numa temporada atrás das grades. Mas as responsabilidades são independentes.”
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como farsa?, é assim que a história se repete, quando se repete? e os cordeiros balimos em silêncio?, amigos íntimos & anônimos do rei?, dos advogados?, da justiça? durma-se com um silêncio desses…

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Editor de FAROFAFÁ, jornalista e crítico musical desde 1995, autor de "Tropicalismo - Decadência Bonita do Samba" (Boitempo, 2000), "Como Dois e Dois São Cinco - Roberto Carlos (& Erasmo & Wanderléa)" (Boitempo, 2004) e "Álbum" (Edições Sesc, 2021-2026)

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