assim se separavam, no final da noite de 29 de outubro de 2006, o todo esvaziado da avenida paulista e o (pequeno) pedaço dela que queria comemorar a segunda vitória presidencial de luiz inácio lula da silva.

ficar olhando aquela faixa que apartava um mundo do outro (ou a totalidade dos brasileiros de 61% dos brasileiros “válidos”) me causou um forte impacto, um susto, um choque. eu só conseguia olhar e pensar que, sim, eu “sou” povo, mas que, sim, eu também “sou” mídia. e aí é nó nos miolos, né?, porque eu olhava e já não sabia se eu venci eu, ou se eu fui derrotado por mim, ou se eu venci me derrotando, ou se eu perdi triunfando, ou se isso tudo ao mesmo tempo…

os dias seguintes vieram confirmar aqueles primeiros desconfortos: a dita “mídia” é, mais que nunca, a bola da vez. ela (ela? “ela”, a mídia, é uma mulher? não, né?…) está no centro do palco no ataque continuado, mas está também, pela primeira vez, na defensiva, qual a quarta parede demolida de um grande teatro não mais ilusionista.

provando uma pequena dose do próprio remédio (ou veneno? a diferença está na dosagem?) que gosta de aplicar, a mídia vai ao foco e ocupa os holofotes dos que querem cobrar-lhe os momentos transtornados (e infelizmente cada vez mais freqüentes) em que ela (ela?) tem desrespeitado furiosamente seus próprios preceitos, pintando para si uma imagem feiíssima de último bastião da ditadura militar, aquela (aquela?, essa? “ela”, a ditadura, é uma mulher? não, né?…) que tanto esperneia para nunca se extinguir de vez.

vou te contar, viu?, tá difícil, tá dureza.

mas, por sobre todo conflito e por sobre toda aflição, havia – e há – a comemoração, a celebração, o festejo, o sentido de sonho (mais uma vez) materializado na vida cotidiana e no amor-próprio de milhões nada desprezíveis de cidadãos e cidadãs. as fotos abaixo, amadoríssimas (feitas por mim, pelo gabriel e pela márcia), retratam um pedacinho simbólico do brasil, um naco avenido-paulistano deste país (este? “ele”, este país, brasil, é um homem? não, né?…) que deseja celebrar lula, e tem razões de sobra para festejá-lo (ou seja, a festejar-se), a despeito da sanha irada dos setores mais antidemocrátcicos da mídia [e, por espelhamento, da sociedade toda, dela, essa menina (“ela”?, a sociedade é uma menina? é, e não é, né?…)].

às imagens então (clicando em cima de cada uma, aparecerão com maior riqueza de detalhes), e meus-nossos parabéns a este brasil que somos muitos (e, portanto, a mim mesmo, que, além de “povo” e “mídia”, também sou “brasil”):

1. as minorias: os sambistas (alô, leci brandão!, alô, netinho!), os rappers (alô, mano brown!), os negros, os repórteres branquinhos, os gays, as mulheres, os orientais, os migrantes, a interlândia, a passárgada, o sassaruê…







2. as utopias, a realidade, a guerra, a paz, a paz em guerra, em guerra pela paz (alô, tom zé!)…






3. a família (a cena é esvoaçada, mas trata-se de uma avó e de uma neta, que valsavam ao som do samba)


4. o brasil


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