a gravadora trama enviou um texto de divulgação contendo um ato falho incrível, sensacional. é que o wilson simoninha vai fazer com a mtv (com a mtv?) um disco ao vivo só de músicas do jorge ben, e lá no seu texto a trama diz assim que uma das músicas do repertório é “amado amante”. hahahahahahaahahahahahahahahahahha.

tô rindo porque a música do jorge ben não se chama “amado amante”, mas sim “amante amado” (está em “a banda do zé pretinho”, som livre, 1978). e o fofo ato falho me atentou para uma coisa que nunca, nunca, nunca eu havia percebido (droga, queria reescrever “como dois e dois são cinco” para inserir a “descoberta”): será que “amante amado” era uma resposta em negativo à “amada amante” (“roberto carlos”, cbs, 1971) de roberto e erasmo carlos???

serááááá?

olha só.

“amada amante”: “(…) e você, amada amante/ faz da vida um instante/ ser demais para nós dois/ esse amor sem preconceito/ sem saber o que é direito/ faz as suas próprias leis/ (…) nesse mundo desamante/ só você, amada amante/ faz o mundo de nós dois (…)”

“amante amado”: “(…) quero ser mandado, adorado, acariciado, machucado e amado por você/ e depois pode me mandar embora mesmo que sejam quatro horas da amanhã/ chovendo/ fazendo frio, amor/ e me proibindo de olhar pra outra mulher qualquer (…)”

hum, será que o ben andava sonhando em ser assim um amélio, um reverso de amélia que negasse assim os fervores de machismo preponderante do rei? ah, mas por outro lado rc defendia um “amor sem preconceito”, o mesmo do jb, né? eram opostos, e eram iguais…

porque, ei, onde fica nisso tudo a amélia de ataulfo alves e mário lago, aquela que “era mulher de verdade” porque era bem obediente, bem subalterna, bem submissa?

[p.s.: sabia que roberto carlos, sempre tão avesso às normas da mpb “chique”, gravou “ai, que saudades da amélia”, do mário e do ataulfo, com órgão e tudo? foi num compacto de 1967, mesma época em que ele tentava furar bloqueios da elite emepebista, participando do festival da record com o sambão “maria, carnaval e cinzas”, do paranaense carlos paraná. deu com os burros n’água. foi vítima de preconceito. e iracema voou para longe da mpb.]

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