Ainda burilando minha lista de impactantes do ano (entre os CDs nacionais lançados e que eu ouvi, evidentemente), votei nesses aqui. Espero ainda incorporar mais um ou dois:

AMAZÔNIA ÓRBITA
DANTE OZZETTI – Na cocha de retalhos de ritmos de Dante, um Brasil novo emerge. Boi de Brinquedo começa com uma aclimatação que poderia perfeitamente estar em um disco do Thom Yorke, mas daí evolui para Tom Jobim – e perfeitamente pode ter sido matriz de tudo isso ou tudo aquilo. Pesquisa de composição, algo que só um heroi ou um visionário (ou ambos) é capaz de empreender nos dias de hoje.
FACCIAMO L’AMORE
CARLOS CAREQA – Careqa parece que, como um Coronel Fawcett do pop, foi atrás de saber o que tinha causado o gap entre Gianni Morandi e a paixão pela canção italiana dos anos 1960 no Brasil e o deserto de agora. Com um italiano de ginasial, produziu talvez um dos discos instrumental e vocalmente mais sofisticados do ano que termina – sem falar no humor sutil. A faixa-título, com Mafalda Minozzi nos vocais, é simplesmente fenomenal.
SÓ VOU CHEGAR MAIS TARDE
EDVALDO SANTANA – Escrevi o release, deveria me abster de recomendar. Mas como fiz por camaradagem (e porque o disco merece), achei que seria cabotino deixar de fora. Bluesy, rock’n’roll, sambalançado, arredondado, cristalino, cheio de histórias de uma vida de integridade e malandra observação. Artista que esquiva de bala perdida com ginga e blues no sangue.
CROCODILO
JONNATA DOLL E OS GAROTOS SOLVENTES – João Penca dos Inferninhos da Iracema, Jonnata Doll é Stooges com Plebe Rude, uma mistura boa da moléstia. Têm rusticidade calculada, mas sem imbecilizar as rimas nem os recados.
DUAS CIDADES
BAIANA SYSTEM – Não tem como fugir: a escolha territorial do Baiana System, a frente de batalha das massas, do povo, os credencia a grande acontecimento musical da temporada. Jah Jah Revolta parece retomar um fio evolutivo deixado como rastilho de pólvora lá atrás por Chico Science. Já Bala na Agulha pega rima abandonada por Black Alien e vai umas mil milhas adiante. Falsamente low fi, francamente dodô&osmariado, máquina de louco.
SAMBA ORIGINAL
PEDRO MIRANDA – O surdo de barrica já não existe mais, mas na música de Pedro Miranda não há nada extinto. Pelo contrário: tudo revive, tudo tem peso de História, mas nada tem poeira. Não é só essa sua qualidade, mas a leveza com que ele conduz sambas de Zé Keti, Assis Valente, Noel, Wilson Batista, Geraldo Babão, Batatinha, Franklin da Flauta e Aldir Blanc e até de Luiz Gonzaga é algo que o distingue barbaridade dos outros de sua geração. Esse disco já é referência.
AMOR GERAL
FERNANDA ABREU – Está vibrando mais o caos que a beleza na nova levada de Fernanda Abreu, agora com 54 anos. Disco surpreendeu todo mundo que conheço, tem raiva e exorcismo e dance que ela garante, com subgrave no comando. Afrika Bambaataa, o pai da matéria, está pilotando Tambor, hit de nascença. “Sempre haverá um mané, sem noção, um otário querendo atrasar”, canta ela. Melhor da antiga safra hedonista.
NAS ESTÂNCIAS DE DZYAN

JULIANO GAUCHE – Saiu lá no comecinho deste ano que nunca mais terminará para o País, mas não tinha como esquecer (não estou com a capinha na mão, desorganização em casa, mas vai assim mesmo na lista). Alto artesanato, a voz mais bacana, os amigos mais exatos nos instrumentos: música é também feita de grandes camaradagens. Evoca umas sensações muito boas, umas manhas de Pavement, umas inflexões de Walter Schreifels, um condimento de Sergio Sampaio. “Vista um short, nós vamos andar!”.

MELHOR DO QUE PARECE
O TERNO – Perdi o texto no qual eu argumentava a respeito da excelência desse disco, mas me lembro que uma das coisas que destacava é que fizeram a melhor canção para Minas Gerais desde o Clube da Esquina, e olha que foi um sentimento de janela de avião. Rock autoral como há muito não ouvia. Merece lugar no ranking.

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10 SHOWS INTERNACIONAIS
(dos que eu vi, aqui e lá)

1. NEIL YOUNG (Desert Trip Festival, Califórnia)
2. BOB DYLAN (Desert Trip Festival, Califórnia)
3. ROLLING STONES (Morumbi, São Paulo)
4. ROGER WATERS (Desert Trip Festival, Califórnia)
5. TINARIWEN (Sesc Vila Mariana, São Paulo)
6. DIE ANTWOORD (Lollapalooza, São Paulo)
7. THE WHO (Desert Trip Festival, Califórnia)
8. PAUL MCCARTNEY (Desert Trip Festival, Califórnia)
9. SCORPIONS (Citibank Hall, São Paulo)
10. WHITESNAKE (Citibank Hall, São Paulo)

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