Desde 1972, até este último domingo, ele foi meu melhor amigo. Sinto um vazio, mas a dor é maior do que o vazio. Era mais do que um músico, era um ativista, um militante, me acompanhou em minhas peças, minha literatura, minha filosofia. Lia muito, era um intelectual sempre em movimento. Toda minha obra musical foi feita com ele, tocando, compondo. Tenho outros parceiros, mas ele era o mais frequente. Mesmo doente, fazia questão de ir a todos os lugares e tocou até o último momento. Os médicos não compreendiam sua vontade de tocar. Ultimamente, respirava por um fio. Mas, no palco, ocorria um milagre. O doutor Drauzio Varella dizia isso, que era um milagre. No último domingo, estivemos em Jacareí, ele se interessava por todos os assuntos, os ruralistas, a ecologia. Não queria ser internado de novo, sabia que ia morrer. A música traduzia nossas mensagens. Um morreu, o outro vai continuar levando a mensagem.
 
 

foto: leonardo aversa/agência o globo

(depoimento de jorge mautner publicado no estadão na sexta, dia 1º, no dia em que morreu seu parceiro, nelson jacobina)

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Jotabê Medeiros é repórter de jornalismo cultural desde 1986 e escritor neófito, autor de Belchior - Apenas um Rapaz Latino-Americano (Todavia, 2017), atualmente seguindo as pegadas do baiano Raulzito

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