"O Amor no Caos - Volume 2" (2019), de Zeca Baleiro

O título O Amor no Caos, do maranhense Zeca Baleiro, ganha um segundo volume cinco meses depois, e flagra o artista com o mesmo humor de antes: triste, desolado. Às 11 canções do primeiro volume, somam-se mais nove, sempre em modo menor e sob arranjos discretos. “Troco a minha morte por mais sete vidas”, ele sobrevive em “Sete Vidas”, seguindo a estratégia do volume 1, de povoar as canções tristes com palavras otimistas, ou quase. “Quando cheiro flores eu espirro/ mal desperto e já tudo desejo/ (…) quando durmo sonho com papoulas/ quando acordo já são onze horas”, continua, algo indeciso, em “Quando Cheiro Flores”. Eu quero crer/ que o tempo é justo/ que a dor não nos matará, sonha “Canção do Mundo Imperfeito”, tristíssima.

Se no primeiro volume havia a participação luminosa do rapper Rincon Sapiência, aqui quatro cantoras dividem com Zeca o modo menor das canções: Diana Pequeno (em “Canção da Chuva”), Jade Beraldo (“Quando Cheiro Flores”), a portuguesa Susana Travassos (“Rondel”, em francês) e Tatiana Parra (“Riverside Road”, em inglês). A capa colorida (ainda que um tanto fantasmagórica) tenta dispersar a bruma, mas mesmo canções mais mimosas, como “Tomie Ohtake”, enfrenta a amargura para homenagear a artista plástica morta em 2015 e o edifício que lhe abriga o instituto: “Uma cerveja e a tarde fica mais bonita/ a cidade sente/ e pulsa nervosa/ a saudade mata a gente”. A chuva aparece como elemento redentor, sobretudo na faixa inicial, “Chovia no Canavial”. O caos segue vencendo o amor, por 7 a 1.

O Amor no Caos – Volume 2. De Zeca Baleiro. Saravá Records/ONErpm.

 

Precisamos de um quilo de farinha pra fazer FAROFAFÁ!

Mascote FAROFAFÁ Somos o único veículo crítico e progressista dedicado exclusivamente ao jornalismo cultural, nas suas mais variadas frentes: livros, filmes, música, artes, teatro etc. Se você chegou até aqui é porque está do nosso lado. Ajude FAROFAFÁ a fortalecer o debate e a cultura brasileira.

Diferente dos grandes veículos, não somos donos bilionários e não corremos atrás de cliques a qualquer custo. Isso significa duas coisas:

1. Farofafá trata do que importa para a cultura brasileira — do teatro de grupo às periferias musicais, da literatura marginal às artes visuais — sem precisar agradar patrocinadores.

2. Praticamos jornalismo de fôlego. Críticas, reportagens e ensaios nascem de quem foi ao teatro, ouviu a música, leu o livro, viu a exposição. E tudo o que publicamos é gratuito para qualquer leitor — e queremos que continue assim.

Você pode ajudar a deixar Farofafá mais forte e vibrante! Escolha sua forma de contribuir e vamos farofafar juntos!

Escolha como apoiar

Saiba mais em farofafa.com.br/apoie

PUBLICIDADE

DEIXE UMA REPOSTA

Por favor, deixe seu comentário
Por favor, entre seu nome