O cantor e compositor Mongol, que morreu ontem no Rio

Autor de megahits como Agonia e Lume de Estrelas, sucessos de Oswaldo Montenegro, o músico Arlindo Carlos Silva da Paixão, o Mongol, foi intubado por conta de complicações da Covid-19, no Rio de Janeiro. Seu estado é considerado grave e deve ser transferido nesta quarta-feira, 5, para o hospital da Fiocruz, de referência no tratamento da Covid-19. Ele completou 64 anos no hospital, no segundo dia após a internação.

Mongol tomava diariamente, há um ano, o coquetel de “prevenção” da Covid-19 indicado pelo presidente Jair Bolsonaro – de 15 em 15 dias, segundo sua esposa Deborah Turturro, ele e ela tomavam 3 comprimidos de Ivermectina e Hidroxicloroquina, além de vitaminas D e C, zinco, selênio e magnésio. No dia 6 de abril, Mongol tomou a primeira dose de vacina da AstraZeneca e então suspendeu a ingestão dos comprimidos de Ivermectina, segundo Deborah.

Mongol tinha começado recentemente o curso de Pedagogia na UniRio, e seguia produzindo música com intensidade. Em janeiro, no Festival Canto dos Araçás de música online, ele inscreveu a canção Canto para Oyá, que ganhou como Melhor Letra. Ele cresceu em um cortiço no Grajaú, no Rio, filho de empregada doméstica, e tem uma carreira muito diversificada como ator, compositor e intérprete.

O prestígio de Mongol como compositor teve seu auge nos anos 1980 e 1990, quando integrou o grupo de atores, músicos, instrumentistas que acompanhavam o Oswaldo Montenegro em seus musicais que se denominavam “Os Menestréis”. Passou a trabalhar em musicais como ”A Dança dos Signos” (marcante trabalho de Oswaldo Montenegro, de 1982), “Léo e Bia” e “Aldeia dos Ventos” e também fazia shows solo de humor e música.
Agonia venceu o Festival da Nova Música Popular, realizado pela Rede Globo de Televisão em 1980, e tornou-se um hit massivo. Seguiram-se muitos outros sucessos, como Estrela de Néon, A Vida Quis Assim,  Sempre Não É Todo Dia, Taxímetro, A Dama do Sucesso, Lume de Estrelas, Coisas de Brasília.  No teatro, trabalhou em peças como O Rei do Mau Humor, Vampiro Doidão, fez a trilha dos musicais João Sem Nome e Brincando Em Cima Daquilo, com Marília Pêra.
Em 1997, Mongol experimentou outro hit massivo com a banda Akundum, que liderava, e sua canção Emaconhada (consta que vendeu mais de 200 mil discos e levou a banda a fazer 200 shows). O Akundum acabou abrindo shows da banda jamaicana Inner Circle.

 

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