Dezesseis dias pós exonerar sem qualquer explicação Luciano Querido, então presidente da Fundação Nacional de Arte (Funarte), o governo Bolsonaro arrumou uma nova “boquinha” para o correligionário na própria Funarte. Querido, ex-assessor de um dos filhos do presidente, Carlos, foi acochambrado na Direção do Centro de Artes Visuais da instituição. O novo presidente da Funarte é o coronel do Exército Lamartine Barbosa, mas quem nomeou Querido foi o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio.
Nesse “downgrade”, Querido perdeu 6 mil reais em salário, mas não parece estar reclamando. Sua queda (a quinta na Funarte em um ano e meio) teria sido determinada pelo secretário Especial de Cultura, Mario Frias, mas para pacificar as suscetibilidades dos grupelhos ora no poder, recolocaram-no. Há boatos de que ele era considerado uma ameaça pelos inquilinos do poder.
Essa lógica (a de que o Estado brasileiro é a Casa da Mãe Joana) permeia todas as instituições. Ontem, quarta, foi nomeado na Ancine como Secretário Adjunto das Políticas de Financiamento audiovisuais o servidor Marcos de Rezende. Curiosa história ronda o nome de Rezende: em militância dupla como produtor de cinema, ele teve prestações de contas recusadas pela Ancine. A agência tentou localizá-lo para a notificação do débito, mas concluiu que não era possível localizar o produtor. Ocorre que, no momento da notificação, Rezende trabalhava dentro da própria Ancine como assessor. Agora, finalmente, cumprirá a ele comunicar que não localizou a si mesmo para quitar o débito.
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Seria interessante publicar uma lista das pessoas nomeadas pelo governo Bolsonaro nos órgãos da Cultura. Eles não vão poder se esconder impunemente quando o vendaval passar e a democracia retornar.