Tirando o fato de que é um valor irrisório (e de surrupiar 28% do total para “despesas administrativas do concurso”), as Bolsas Biblioteca Nacional/Funarte de Criação Literária têm um edital absurdo.

Quem me chamou a atenção para o texto foi o Claudio Willer, poeta e escritor.
Trata-se do capítulo sobre a restrição temática. Vejam se não é patético:

1.2. Os projetos concorrentes não sofrerão quaisquer restrições quanto à temática abordada dentro da sua categoria, desde que não caracterizem:

a) promoção política de candidatos e/ou partidos;
b) dano à honra, a moral e aos bons costumes de terceiros e da sociedade;
c) pornografia;
d) pedofilia;
e) discriminação de raças e/ou credos;
f) tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins;
g) terrorismo;
h) tráfico de animais.

Bom, então eliminamos todos os vícios & desvãos humanos das obras de arte, e o que sobra?
E como se define hoje em dia “honra, moral e bons costumes”?
Qual a linha que separa pornografia e erotismo?
Glauco Mattoso é pornográfico?
Se a obra não pode conter temática de drogas, como ficaria a série Tropa de Elite? Seria eliminada do cinema nacional?
Pedofilia? Então um júri desses desclassificaria Lolita, de Nabokov?
Discriminação de raças ou credos? Habibi, de Craig Thompson, não seria publicado?
O regulamento, primário, permite qualquer tipo de restrição.
Essa estultice é assinada por Galeno Amorim e Antonio Grassi.

As 30 Bolsas Biblioteca Nacional/Funarte de Criação Literária receberam, após descontinuidade, R$ 450 mil. O retrocesso nessa política de estímulo literário já fora registrada com clareza e sobriedade no blog do escritor e jornalista Ademir Assunção.

http://zonabranca.blog.uol.com.br/arch2012-06-17_2012-06-23.html

Mas parece que o mundo da literatura nacional não tem muita noção do que é feito em seu nome, e do que não é feito.

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