Sacode, sacode, sacode aí, muchacha. Eu tenho 20 anos. Sou mãe do Josué. Nasci em Manaus, sou amazonense. Em Manaus, não conhecia o tecnomelody, o eletromelody, não tinha noção do que era uma aparelhagem. Alguém tem noção do que é uma aparelhagem? Em Manaus não tem, lá o forte é o forró e o boi-bumbá.


Com 5 anos, comecei a cantar na igreja católica, que meu pai era católico. Ele é policial, sargento aposentado, minha mãe era supervisora de escola. Na igreja me excluíam, porque eu sempre era escolhida pra cantar e as outras ficavam com ciúme. Com 10 anos, fiquei tristinha e resolvi trocar. Minha mãe sempre foi evangélica, resolvi migrar pra igreja adventista.

Estava acostumada na católica, com bateria e tudo, meu jeito sempre foi música agitada. Comecei a cantar no coral, e veio a fase desguiada. Sempre gostei de dançar, dançava tudo, tudo, tudo, tudo, até carimbó. E na igreja não era permitido, aos 14 ou 15 anos fui praticamente expulsa da igreja. Me disciplinaram, não pude mais cantar no púlpito.

A igreja concebe a gente, mas depois não quer criar. Diz que é o demônio, manda embora, Expulsa. Foi aí que comecei a cantar em banda de forró, de calipso, de rock, de hip-hop…

Quando eu tinha 16 anos, meu pai teve que mandar meus irmãos pro Pará, por coisas que tavam acontecendo que não deveriam ter acontecido. Tive que vir embora também, sem a minha vontade, pra Barcarena. Hoje meus pais moram lá, têm uma sorveteria na praça, numa área linde de praia, Itupanema.

Os índios Aruans foram os primeiros habitantes de Geribirié. Mas eles foram catequizados pelos jesuítas, e em 1758 o povoado de Geribirié virou freguesia de São Francisco Xavier de Barcarena. Se for de Barcarena de barco, de popopô, é uma hora e meia pra chegar em Belém. De alça viária é duas horas.

Quando cheguei no Pará, fiquei quase numa depressão. Não cantava mais. Tinha desistido de cantar. Cantar é mover o dom do fundo de uma paixão. Seduzir as pedras, catedrais, coração. Todo artista tem de ir aonde o povo está.

Viajei pra participar do “Ídolos” em Fortaleza. Não me editaram na TV. Eu era a única do Norte que tava lá, e eles disseram que queriam escutar um forró. Arrochei no forró, e simplesmente Luiz Calainho falou que se a luz tava doendo no meu olho era pra eu cantar à meia-luz. Onde já se viu cantar vanerão à meia-luz? Se eu tenho catarata, um problema muito grave de vista? Ele sabia disso.

Em Curuçá, no interior do Pará, foi a primeira vez que eu gravei uma música, que eu escutei minha voz gravada. Artista, eu? Sim senhor, qual é o problema? Foi um tecnomelody da Banda Ravelly pra um prefeito lá, no tempo da eleição.

Aí topei com o William, ele me chamou pra entrar na minha primeira banda de tecnomelody, Banda Megatim, Os Jovens do Melody. Eram quatro vocalistas, eu, ele, uma moça e mais Iduã. William tava de olho em mim, mas namorava a outra cantora. Aí começou a confusão. Fiquei grávida, nosso filho nasceu, depois que saí do resguardo conheci o Waldo Squash, eu conheci pela internet, Eletrohits, Gang do EletroSacode, sacode, sacode aí, muchacho.

 

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