ele me disse: a nostalgia precoce é uma doença moderna.
tá cheio de moleque por aí lamentando: saudade do gameboy, do pokemon, do iPod U2, do orkut.

eu gargalhei.

ele continuou: é uma praga, é pior do que você pensa.
tá cheio de pré-tiozinho por aí dizendo: saudade do primeiro disco dos strokes, do stoichkov, do liédson, do mangue bit.

eu lhe disse que na verdade essa não é uma doença moderna, é anciã.
eu lhe disse que, certa vez, no início do século 20, um irônico machado de assis constatava: “os telegramas encurtam-se extraordinariamente”.
já não era a antevisão do twitter?

ele retrucou: sim, eu sei. mas o fato é que já nascemos nostálgicos neste século 21. a aceleração das partículas da tecnologia empurra até os fetos a essa condição.

eu trepliquei: ora ora ora, nossa geração já era tão saudosa quanto, já era uma geração de flashbacks: oh saudades do national kid, do fogaça e do falcão, do torneio rio-são paulo, do chute de trivela, do kempes, das lojas de discos e das manchetes do notícias populares.

ele não se conformava: mas você levou 30 anos para ter saudade do national kid! não é a mesma coisa. agora já se comemora turnê de retorno de banda que se separou ontem, como os libertines! e os tiozinhos já têm saudades do napster! e as meninas já têm saudade até do tempo em que o ricky martin ainda estava no armário!

eu: “what? ricky martin era menudo nos anos 80, nenhuma menina mais depositava esperança nele nos dias de hoje!”

“o que é um menudo?”, ele perguntou.

silêncio mortal na mesa. não ousei responder.

(..)

“e o santos, hein? acabou com as saudades daquele time do pelé, não?”, disse ele, mudando transversalmente de assunto.

eu ainda diria mais, mas a canção tem que acabar (que saudade dessa musiquinha…).

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