andei dando asas às memórias.

e lembrei que, quando eu inaugurei este blog, em outubro de 2004, construí o primeiro tópico, meio assim sem querer, como um sample de “o circo chegou”, que jorge ben lançou em 1972, no disco “ben”.

naquela ocasião, eu nem sabia que menos de dois meses depois eu ia pedir demissão da “folha”. muito menos ainda sabia eu que,
menos de dois anos depois, eu escreveria na “carta capital” uma reportagem sobre o circo brasil, que seria tão importante para mim.

eu não sabia de nada, mas estava tudo lá dentro, fermentando feito sementinha em solo úmido, né? que bonito.

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hoje em dia, eu só sei que continuo não sabendo de nada. a não ser que jorge ben jor se considera um emo e se sente muito feliz por isso. e que mano brown é, para mim, o jorge ben (jor) dos anos 2000. quem sabe daqui a alguns anos a gente volte a conversar sobre esses brinquedos suspensos no passado-presente-futuro, né?…

por enquanto, hoje de manhã senti saudade e fui ouvir, embevecido, “o circo chegou” (e “morre o burro fica o homem”, e “domingo 23“, e “quem cochicha o rabo espicha”, e “as rosas eram todas amarelas”…). e, pronto, copio a letra de “o circo chegou” aqui, porque continuo achando que é uma das mais lindas que já foram escritas.


o circo chegou
(jorge ben)

o circo chegou
vamos todos até lá
olha, que o circo chegou
não custa nada você ir até lá
o circo é alegria de viver
o circo é alegria que você precisa conhecer
tem um macaco cientista
um urubu que toca flauta e violão
uma orquestra de sapo
a cabra ciclista e a girafa seresteira
tem um anão gigante
a mulher barbada e o homem-avestruz
tem o homem-foguete
que entra em órbita a qualquer hora
e quando menos você espera, suspense!, o leão foge da jaula
mas calma, minha gente, que o leão é sem dente
calma, minha gente, que o leão é sem dente
um mágico que engole espada e come fogo
vira elefante e sai voando
vinda diretamente de paris uma linda, sex-bailarina dançando ao som da escaldante banda
do seu tião brilhantina
e quando não está roubando mulher
aparece o palhaço tereré
distribuindo goiabada e requeijão
e ingressos pra domingo que vem
e anunciando a grande atração
a grande atração
é uma grande vidente
uma grande vidente que tudo sabe, que tudo vê, que tudo sente
e agora com vocês a grande cartomante, a internacional deise
a mulher do homem que come raio “leise”

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Editor de FAROFAFÁ, jornalista e crítico musical desde 1995, autor de "Tropicalismo - Decadência Bonita do Samba" (Boitempo, 2000), "Como Dois e Dois São Cinco - Roberto Carlos (& Erasmo & Wanderléa)" (Boitempo, 2004) e "Álbum" (Edições Sesc, 2021-2026)

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